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A Constituição europeia privada da verdade histórica

Como estamos em democracia, há certos democratas que, quando ocupam lugares de responsabilidade, olvidam a história, e, se dizem conhecê-la, deturpam-na e atraiçoam-na

N/D
19 Nov 2003

Vai realizar-se a votação da futura Constituição Europeia e está em causa o silêncio sobre Deus e o cristianismo, no texto. Sendo um facto histórico surgiu a reacção aliás viva e objectiva de muitos analistas e historiadores. E a imprensa também se expressou.
O francês Valery Giscard d’Estaing presidiu à Comissão de trabalhos que fez essa Constituição.

Na “Alfa Omega”, espanhola, Mercedez Salisachs refere-se ao problema e escreve: «A Constituição europeia está a ver-se afectada por Valery Giscard d’Estaing que se nega a incluir nela a Deus e ao cristianismo».

Baseada na realidade histórica, a existência do cristianismo na Europa tem vinte e um séculos, «uma era legal e solidamente assente na nossa forma de vida». Vai-se substituir por outra, baseada em pilares totalmente alheios aos que a maioria dos seus humanos continua a apoiar.

E pergunta: «Quem é mais ditatorial, o que, suprimindo, impõe ou aquele que se adapta ao que já está imposto por uma era de dois mil anos?».

E termina: Giscard «propõe uma nova ditadura disfarçada de liberdade, sem se dar conta de que além de ferir a milhões de crentes que povoam a terra, está a ferir também a democracia com uma intolerância disfarçada de tolerância».

Este problema que em Portugal não teve repercussão em órgãos de informação, em Espanha teve em órgãos de destaque e com a colaboração de pessoas socialmente responsáveis. E uma delas foi António Fontãn, ex-presidente do Senadoque no diário “ABC” publicou um artigo maravilhoso, envolvendo a História do facto que estamos aqui a abordar. Disse: «A partir do século IV (quarto) entende-se por Europa, a Europa cristã, que em seiscentos anos alcançaria cobrir todo o continente.

Essa é a Europa que tem a sua continuação no resto da Idade Média e na Moderna até hoje, por muito secularizados que estejam, na actualidade, os povos e os estados». E continua: «Desde o século V (quinto) o cristianismo propagou-se por terras e povos não romanizados (os celtas, irlandeses, os godos, francos e outros, germanos invasores, graças à acção missionária dos monges e à obra política dos reis».

Mas ao nível da época, o cristianismo havia assimilado a filosofia e a ciência dos gregos e os conceitos e princípios romanos da pessoa a igualdade e universidade do género humano e a organização política da sociedade, o direito e o poder. Todos esses conteúdos e doutrinas a Modernidade os recebe pela “intermediação cristã”.

Face a esta realidade histórica, António Fontãn remata o seu artigo desta forma: «Parece existir em alguns doutrinarismos oficiais de certos estados e políticos um novo laicismo militante que conduz ao absurdo de negar a história dos povos e a realidade social.

Ao contrário, recolher no pórtico da Constituição europeia a herança do cristianismo não é um confessionalismo anacrónico. Será o reconhecimento, à altura do século XXI (vinte e um), do próprio ser de Europa, de sua cultura e a das nações que a integram».

Colhemos para este tema que trazemos aos nossos leitores a voz da história, escrita por quem a conhece, e sabe ler e comentar os documentos. A França laica, a que Giscard pertence, descura a história quando toca a religião, e insiste no laicismo.

Como estamos em democracia, há certos democratas que, quando ocupam lugares de responsabilidade, olvidam a história, e, se dizem conhecê-la, deturpam-na e atraiçoam-na.
O Papa actual referiu-se com objectividade ao problema da Constituição europeia e batem-se pela causa: a Constituição cristã à luz da história.

Este facto provocou a reacção de ateus e de políticos facciosos, levando-os a atraiçoar a verdade.

Em Portugal, o Presidente da Assembleia da República e o Primeiro Ministro defenderam que o preâmbulo da futura Constituição europeia deveria conter a referência à religião. Mota Amaral, Presidente da Assembleia da República, disse recentemente em conferência feita na cidade de Évora: «O reconhecimento desse facto – o cristianismo na futura Constituição – com uma expressa menção no preâmbulo da Constituição europeia que se avizinha, devia apresentar-se como uma evidência».

A verdade, e, neste caso, verdade histórica não pode estar dependente de oportunismo político ou de ateísmo. Os instintos e a deformação política que infelizmente ainda cobiçam a força política para os seus inventos, não podem tornar-se adversários da verdade e deformadores da história.




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