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Religiosidade do futebol…

Agora – dirão uns olhando de soslaio – é a hierarquia da Igreja Católica que entra em jogo.A nota pastoral tem tanto de oportuna como de profética, mas será (objectivamente) evangelizadora?

N/D
18 Nov 2003

Nos últimos tempos tem-se tornado corrente ouvir termos de índole religiosa católica atribuídos a espaços do mundo do futebol: a ‘catedral’ da Luz, a ‘basílica’ das Antas, caracterizando uma boa exibição de um guarda-redes de ´bíblica’… Entretanto, vemos figuras da hierarquia da Igreja Católica a apadrinhar inaugurações – com ou sem bênção! – antecedidas algumas (até) de missa… Em situações mais recuadas vimos visitas ao Papa, mesmo que mediadas de forma um tanto esconsa, mas bem publicitadas…

Por outro lado, a última reunião da Conferência Episcopal Portuguesa tornou pública (no dia 13 de Novembro) uma nota pastoral por ocasião do ‘Euro 2004’, intitulada: ‘O desporto ao serviço da construção da pessoa e do encontro dos povos’. «Preocupados em contribuir para uma cultura que faça do “jogo” em geral e do futebol em particular um verdadeiro instrumento de realização do homem integral e de encontro de povos».

Na exortação final os Bispos fazem apelos aos atletas para que «continuem a dignificar o mundo do desporto», promovendo os «valores da lealdade, da solidariedade, do comportamento correcto, do respeito pelos outros».

Aos dirigentes pedem os Bispos que «promovam a verdade desportiva, fomentem o respeito pelas instituições, actuem com transparência», inculcando «a lealdade, a amizade, a tolerância, e o respeito pela verdade» e rejeitando «a mentira, os negócios nebulosos, a agressividade, o desrespeito pelo adversário».

Aos jornalistas os Bispos pedem que «sejam isentos», através de «uma informação isenta e objectiva, que evite o recurso fácil ao sensacionalismo».

Dos adeptos os Bispos esperam que «descubram no futebol um divertimento sadio, uma forma de lazer, uma expressão de arte e de beleza, uma festa de encontro e de união, para além de todas as barreiras de raça, de língua, de cultura ou de cor clubística».

Já tínhamos visto outros sectores da nossa vida pública associados ao mundo do futebol, usando e, nalguns casos, abusando do protagonismo que este sector faz usufruir quem dele se aproxima: autarquias, empresas, partidos políticos, governantes… sendo difícil discernir quem promove quem, quem se aproveita de quem, quem dá cobertura a quem, quem investe em quem, quem paga a quem, quem perde o que…

Agora – dirão uns olhando de soslaio – é a hierarquia da Igreja Católica que entra em jogo. A nota pastoral tem tanto de oportuna como de profética, mas será (objectivamente) evangelizadora? Como poderão os cristãos católicos aproveitar, de forma nova, ousada e digna, o campeonato europeu de 2004, fazendo dele e nele um tempo de anúncio de Jesus Cristo?

Para além da religiosidade do futebol – um tanto aceite, tolerada ou suportada – temos de saber encontrar os sinais positivos da capacidade de fascínio, passando da religião à resposta que as multidões esperam… como «uma celebração da Vida», que é Cristo, construindo «uma Europa unida à volta dos valores que dignificam o homem». Assim o cremos e esperamos!




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