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Sair da cepa torta

Resta saber se são realizáveis por simples actos voluntaristas

N/D
17 Nov 2003

Qual o papel da imprensa regional e local na aldeia planetária em que vivemos? Haverá um papel para os jornais e revistas – algumas centenas – que se reivindicam de uma “inspiração cristã”? A cidade de Braga acolheu neste fim-de-semana o V Congresso da AIC – Associação da Imprensa de Inspiração Cristã, precisamente para debater estas questões.

O panorama não é animador: a crise, que afecta a sociedade e os media, em geral, afecta também estas pequenas instituições que persistem em cuidar da enunciação e difusão das realidades, aspirações e problemas das comunidades locais. É fraca a sua capacidade de contratar profissionais e de investir na renovação tecnológica, apesar dos apoios oficiais. De modo que muitas delas vão sobrevivendo sem grande horizonte à sua frente.

E, no entanto, dificilmente poderíamos prescindir da informação, comentário e opinião sobre uma realidade como a local, que os grandes media dificilmente contemplam. Num tempo de homogeneização globalizadora, necessitamos do contraponto das raízes e do calor da proximidade. E a imprensa regional e local contribui enormemente para isso.

É, porém, reconhecido que há mudanças a fazer, sem as quais não se sairá da “cepa torta”. Não basta defender um maior profissionalismo para este tipo de imprensa. É necessário que as empresas possuam uma dimensão e uma escala que lhes confira condições de definição estratégica e de conquista de autonomia face às lógicas dos poderes locais (económicos, políticos, religiosos, desportivos, autárquicos…). Ora essa escala dificilmente se coaduna com a realidade empresarial actual. No congresso foram sugeridas linhas de acção que são lógicas e porventura necessárias, como a fusão de títulos e/ou a inclusão de páginas locais em títulos de âmbito regional ou diocesano. Resta saber se são realizáveis por simples actos voluntaristas.

Foi igualmente sugerido um esforço acrescido no sentido de um jornalismo mais próximo do quotidiano dos cidadãos, mais sensível à “agenda” de preocupações dos “de baixo” e não apenas à agenda das fontes que sabem fazer passar a sua mensagem. Nesta linha, defendeu-se o lançamento de parcerias com as escolas e agrupamentos de escolas, no sentido de criar uma maior curiosidade e contacto dos mais jovens com a imprensa regional e, por essa via, qualificar mais os conteúdos e as formas de apresentação gráfica destes órgãos de informação. Isto para interessar os leitores novos, sem os quais não haverá novos leitores.

Um programa para uma década, se houver vontade de fazer dele mais do que uma lista de boas intenções.




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