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Nótulas soltas da minha agenda

Lamento que a proposta de alguns deputados de inscreverem na Constituição o direito à vida desde a concepção não tenha passado já nesta faseinicial da revisão

N/D
17 Nov 2003

1. Numa sociedade democrática, normal, a sociedade rege-se por leis aprovadas pelos poderes competentes eleitos pelo povo. Há, pois, que as cumprir, ainda que se façam esforços, junto de quem as pode alterar se as acharmos injustas. Por isso, não me parece correcto, democraticamente correcto, por exemplo, fechar as universidades a cadeado ou invadir as salas onde decorrem as reuniões legais do Senado, eleito democraticamente, e impedir que se trabalhe e aplique a lei. Pelo contrário, parece-me absolutamente legítimo protestar e fazer ouvir a voz da discordância.

2. Por sistema não perco, aos domingos, o programa “Conversa Afiada” com a excelente jornalista Maria João Avillez, na SIC-Notícias. No dia 8 foi a vez de ser entrevistado Vasco da Graça Moura que me encantou e achei interessante e curioso ser referido que haja pessoas que se espantam de este escritor, sendo de Direita, cultive o espírito e pertença ao chamado mundo da Cultura. Entendem, alguns, que a Cultura é um exclusivo da Esquerda e que só esta pode ter gente culta! Aliás, passa-se o mesmo com a Justiça Social ou com a Solidariedade! A Cultura, defesa da Justiça Social e a promoção da Solidariedade são apanágio do Homem, em que alguns fazem a sua opção política à Esquerda e outros à Direita.

Gostar de jazz, Mozart, rock ou de Carlos do Carmo; apreciar Picasso, Monet, Vieira da Silva ou Reembrandt; defender o direito à vida e estar contra a pena de morte, lutar contra as escravaturas velhas e novas ou exigir o pagamento atempado e justo dos impostos; lutar contra a pobreza e promover a dignidade de todos os homens; gostar de ler ou apreciar uma boa peça de teatro (mesmo de vanguarda), entre outras opções, não é ser de Esquerda ou de Direita. É, lá no fundo, ser Pessoa Humana com preocupações de natureza metafísica e cultural.

3. Dois mil milhões de euros é muito dinheiro. E muito dinheiro para uma causa perigosa para o futuro da humanidade. É o valor atribuído pelo Parlamento Europeu para manipulação de células embrionárias humanas. Cada um de nós está, assim, a contribuir para uma causa que imensos europeus contestam. É o meu caso. Mas não estou sozinho.

4. Quer os deputados queiram quer não, a vida humana começa com a concepção, quando dois gâmetas distintos se fundem e deixam de ser o que eram, passando a ser o que não eram: um ser humano no início do seu percurso existencial. Consignado na lei (o que seria óptimo) ou não, atentar contra a vida humana desde esse momento é um atentado à vida humana. Mesmo que não seja politicamente correcto afirmá-lo ou defendê-lo.

Lamento que a proposta de alguns deputados de inscreverem na Constituição o direito à vida desde a concepção não tenha passado já nesta fase inicial da revisão em causa.

5. Choca-me profundamente a ligeireza com que alguma comunicação social veicula notícias que não passam de calúnias! Mancham-se assim e de forma terrível o bom nome dos cidadãos visados. Não há o direito de agir deste modo, mesmo com pessoas com quem não simpatizamos e não são do nosso quadrante filosófico, político ou religioso. Acima e antes de tudo, qualquer homem ou mulher é, uma Pessoa Humana e, por isso, merece o nosso respeito.




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