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Educar para a democracia

Numa sociedade marcada pelo egoísmo, como é aquela em que vivemos, torna-se cada dia mais imperioso educar para a democracia.

N/D
13 Nov 2003

Educar para a democracia é, antes de mais, ensinar as pessoas, com a palavra e com o exemplo, a viverem em comum. A tomarem consciência de que não existem sozinhas nem são as rainhas do mundo.
Porque a comunidade é formada por várias unidades, onde todos são iguais e diferentes, a educação para a democracia tem como ponto fundamental a tomada de consciência da dignidade do ser humano – de todo o ser humano, independentemente da sua condição social ou económica, do sexo ou raça, do credo religioso ou da opção política – e a necessidade de respeitar essa mesma dignidade em todas as circunstâncias.

Educa-se para a democracia consciencializando o indivíduo da sua própria dignidade e do dever de se respeitar a si mesmo. Levando o mesmo indivíduo a tomar consciência de que é sujeito de direitos e de deveres, e de que, se os direitos são para ser reivindicados, os deveres são para ser cumpridos.

Educa-se para a democracia ajudando o indivíduo a tomar consciência de que os outros também existem. Também possuem direitos que lhes devem ser respeitados. Também precisam de ser felizes.

Educa-se para a democracia ajudando o indivíduo a tomar consciência de que os outros, como seres humano que são, também precisam de dispor do necessário para poderem viver com dignidade, o que tem como consequência a prática da solidariedade, a gestão solidária dos bens materiais, o reconhecimento dos justos limites do direito de propriedade privada, o dever de repartir.

Educar para a democracia também é educar para o diálogo. Diálogo que é o direito de falar e o dever de ouvir. O direito de discordar sem ofender e sem dar murros na mesa. O direito de expor as próprias opiniões sem as impor. O dever de escutar os outros e de os deixar falar sem os interromper. O dever de esperar pela sua vez. O dever de analisar as propostas dos outros e de agir como quem tem a consciência de que os outros também podem ter razão. O dever de ouvir calma e respeitosamente as opiniões dos outros.

Educar para a democracia também é educar para a liberdade. Liberdade que não pode consistir no direito de cada um fazer o que lhe apetece. Liberdade que nunca pode ser o direito de ofender ou de prejudicar. Liberdade que tem justos limites que se situam, normalmente, nos legítimos direitos dos outros. Liberdade que nunca deve andar separada de um comportamento verdadeiramente responsável.

Educar para a democracia também é educar para a paz, mas uma paz baseada na justiça, na verdade, no respeito pelas minorias. Uma paz que inclui a renúncia a todas as formas de violência e privilegia o diálogo como forma de resolver os diferendos que surjam entre os homens. Uma paz que apenas será realidade quando cada um, deixando de alimentar sentimentos de ódio, de inveja ou de vingança, assumir a tarefa de ser construtor de paz.

Educar para a democracia é ensinar o indivíduo a pôr o bem comum acima dos interesses particulares e a colaborar, na medida das suas possibilidades, para o mesmo bem comum.

A educação para a democracia principia em casa, na Família, e prossegue na Escola e na Igreja. Exerce-se também na forma como nós, os adultos, nos relacionamos e agimos, e é algo por que todos somos responsáveis.

O nosso Parlamento deve ser uma verdadeira escola de comportamento democrático. Pelo que a televisão, de vez em quando, vai mostrando, sê-lo-á realmente, sempre? Poderão apontar-se como exemplos de comportamento democrático certas assembleias municipais? Serão também escolas de verdadeiro comportamento democrático certos debates televisivos? A Comunicação Social que temos está a educar para a democracia?

Não basta dizer à criança como deve agir. É necessário que ela se aperceba disso mesmo através da forma como nós, os adultos, actuamos.




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