Fotografia:
Oposição oportunista…

Estamos num momento político em que os factos ocupam os órgãos de informação pelo aspecto negativo que os comanda.

N/D
12 Nov 2003

Bem sabemos que actualmente na política portuguesa há realidades surpreendentes pelo seu lado negativo e há quem os queira ocultar; e, se o não pode fazer, os aproveite em desfavor de quem governa.
Não tem havido, entre nós, a aceitação da responsabilidade dos factos, quando ela é negativa e desprestigia o partido.

Dois casos ultimamente têm aumentado a curiosidade dos portugueses em relação à política nacional. E são eles: os acontecimentos da Casa Pia e o arquivamento judicial do processo que decorria sobre actos de Otelo.

Isto levou um alto magistrado, entrevistado no final de uma reunião, a responder a uma pergunta da jornalista da Televisão que era necessário aplicar a justiça a todos e não apenas aos menos conhecidos na sociedade civil.

Estes factos levantaram, evidentemente, a suspeita de que a justiça não era para todos e não era pronta em agir.

Com esta dura e espantosa realidade conjuga-se o silêncio durante anos sobre os acontecimentos da Casa Pia, que agora estão sob a alçada da justiça; mas esta, ao que se vê na realidade, depara com manobras constantes de adiar os acontecimentos que aguardam julgamento.

A tudo isto que os portugueses vêem, junta-se a morosidade no julgamento de outros casos que tiveram, também, repercussão no País, como o caso da Câmara de Cascais, quando era seu Presidente José Luís Judas, para a qual foi eleito em 1993 e em 1997.

Lemos num jornal e em título: «Câmara de Cascais lesada em cinco milhões de contos; o Ministério Público tem os factos e as contas há um ano, mas…»

Trouxemos estes factos para os nossos leitores, a fim de verificarem que são vários os sectores onde esses problemas negativos se registam e onde se impõe a verdade e a justiça.

Estamos em democracia e, esta, a democracia, exige preparação intelectual para a exercer e formação moral.

Bem sabemos que nem sempre, ou mesmo quase sempre, os responsáveis se preocupam com essas realidades, fundamentalmente humanas, e que a democracia, como qualquer regime não democrático, tem o dever de respeitar e as cumprir.

É frequente assistirmos a ataques ao regime político que antecedeu a democracia, sobretudo em relação à liberdade.

Acontece, no entanto, que em Abril de 1989, o escritor português António José Saraiva, que não era Salazarista, escreveu no “Expresso”: «Hoje vemos, com dura clareza, como o período da nossa história, a que cabe o nome de Salazarismo, foi o último em que merecemos o nome de nação independente. Agora em plena democracia, e sendo o povo soberano, resta-nos uma reserva de eucaliptos para uso de uma obscura entidade económica que tem o pseudónimo de CEE».

António José Saraiva era anti-salazarista e, durante o período de governação de Salazar, viveu em França.

Entre nós, há, infelizmente, em alguns políticos, a má vontade contra os que professam política diferente. Dizem-se defensores da liberdade, mas, quando quem governa não lhes agrada politicamente, a liberdade não conta, apenas conta a sua ambição política até ilegítima, por vezes.

E com estas realidades negativas quem sofre é a Nação e os seus habitantes, pois os adversários políticos deformam os êxitos ou silenciam-nos e continuam as lutas pela sua subida ao poder para fazerem a sua política.

O conceito de Nação, de Pátria, é subordinada à ideologia política e, consequen-temente às consequências da mesma.

Essa liberdade, há lugar para todos. Porém, todos devem sentir a realidade nacional, a sua história, a sua presença no mundo político actual e subordinar a política a estas realidades.

Faça-se a crítica à actuação dos governos, mas respeite-se a liberdade partidária.

Com que respeito pela democracia se diz e, portanto, se apregoa, como tem acontecido entre nós, que é preciso destruir a “Direita” para construir Portugal?

Cegos, nem vêem o que se passa nesta Europa livre, em que a maioria política é da “Direita” e nos países em que venceu a “Direita”, mas não tem a maioria, encaminha-se para a coligação.

O que importa é a Nação e a ela se deve subordinar a actividade política.




Notícias relacionadas


Scroll Up