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Centro Hospitalar do Ave-Cávado – Uma solução possível!

Temos assistido nos últimos dias a diversas notícias dando conta da falta de médicos obstetras em várias maternidades do norte do país susceptíveis de pôr em causa a qualidade dos respectivos serviços. Tais novidades inquietam a generalidade da população, mas sobretudo as mulheres que a curto prazo forçosamente a eles têm que recorrer.

N/D
11 Nov 2003

As razões de tais notícias terão na sua génese a intenção de servir e de cuidar em condições óptimas, mas constituem motivos de preocupação e de insegurança que não são benéficos para ninguém.
De um modo geral todas as classes profissionais que servem o Serviço Nacional de Saúde sabem da escassez de médicos em muitas especialidades. Boa parte já se apercebeu que a classe médica portuguesa não tem sido renovada como seria desejável. A existência de números clausulos apertados nas Faculdades de Medicina há mais de vinte anos conduziu-nos a este estado. A falta de médicos em algumas áreas é tão gritante que já é comum em várias instituições a admissão de estrangeiros de múltiplas nacionalidades. Não questionando a sua qualidade posso contudo constatar dificuldades de comunicação que são mais visíveis nas especialidades que requerem um contacto mais directo com os doentes. Estes profissionais têm necessariamente mais dificuldades no seu relacionamento atendendo às raízes culturais. O mesmo não se passa em áreas de laboratório, imagiologia ou outras que não requerem essa empatia.

Perante este cenário que já é tão preocupante, o que fazer?

Por voltas e mais voltas que se dêem, não haverá outro caminho se não o de concentrar recursos.

Esta já foi a solução encontrada há pouco mais de uma década, quando fecharam dezenas de maternidades no país, por terem menos de 1500 partos por ano. Hoje, essa tarefa será menos dolorosa, porque as novas vias rodoviárias encurtaram distâncias.

Será uma decisão difícil porque irá desgostar todos os atingidos. Contudo, a frieza dos números não se vai compadecer com outras alternativas.

Cingindo-me à realidade do Minho, fará todo o sentido manter Maternidades em Viana do Castelo, Braga, Guimarães e Vila Nova de Famalicão, esta última devendo funcionar como Centro Hospitalar do Ave e Cávado, agregando Barcelos e Santo Tirso. Esta concentração já começou a ser implementada pelo Ministério da Saúde de que são exemplos o Centro Hospitalar do Alto Minho e mais recentemente o Centro Hospitalar de Santana que agrupou três hospitais da capital. Acresce que apesar de Santo Tirso não pertencer ao Minho poderá ser agregada a V. N. de Famalicão em virtude da proximidade entre ambas e do limitado número de nascimentos verificados na primeira. Esta concentração fará todo o sentido.

Atendendo aos recursos técnicos e humanos disponíveis, ao número de partos verificados nas maternidades de V. N. de Famalicão, Barcelos e Santo Tirso, às curtas distâncias entre estas cidades e à necessidade de optimização, o Centro Hospitalar do Ave-Cávado será uma solução não só possível como inevitável.




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