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Porque viajas tanto?

Um dia, precisamente a 14 de Fevereiro de 1988, João Paulo II visitava uma paróquia de Roma e uma criança, com a sua simplicidade, perguntou-lhe: “Porque viajas tanto?”. A resposta do Papa foi a mais óbvia, para quem tem Fé: “Porque o mundo não está todo aqui! Não leste o que disse Jesus? «Ide e evangelizai o mundo inteiro». Por isso, eu viajo pelo mundo inteiro!”. O título destas linhas é o mesmo de um livro que Aura Miguel escreveu e se encontra à venda, sendo já um sucesso de livraria.

N/D
8 Nov 2003

Aura Miguel é jornalista da Rádio Renascença e vaticanista; ao longo de 16 anos acompanhou o Santo Padre em aproximadamente 50 viagens pelo mundo, fazendo a cobertura jornalística dos eventos deste pontificado.
Em 2 de Outubro foi o lançamento do livro em Lisboa e em 28 de Outubro no Porto. Tive a oportunidade de estar presente e de voltar a apreciar os dotes de comunicadora de Aura Miguel.

Diz o Cardeal José Martins Saraiva, no prefácio deste livro, que Aura Miguel ao viajar com o Santo Padre cresceu na fé e no amor à Igreja. O Dr. César das Neves que apresentou o livro no Porto, foi mais longe e considerou que a autora é não só jornalista, mas uma santa (coisas que a ele quase lhe pareciam incompatíveis!).

A mim fascina-me ouvir Aura Miguel falar, e falar do Papa que ela tem o privilégio de conhecer melhor que qualquer um de nós. Posso contudo afirmar que quem ler este livro também aumentará o conhecimento sobre a personalidade de João Paulo II, o Papa Itinerante, como gosta de ser apelidado.

Neste momento em que ainda recordamos os 25 anos do Pontificado de João Paulo II, este livro ajuda-nos a fazer um balanço do que foram estes 25 anos.

João Paulo II é um Papa que não se resignou a viver no Vaticano e mesmo agora que a fragilidade da sua saúde é patente continua incansável no serviço ao qual jurou fidelidade no dia da sua investidura.

João Paulo II desmente com os seus actos um dito que se ouve nos corredores do Vaticano – os Papas morrem, mas não adoecem. Temos visto muitas vezes, vezes de mais, o Santo Padre ser internado no hospital, mas sempre que sai retoma o seu trabalho habitual com mais energia, se possível.

É certo que ultimamente o Papa já não caminha pelo seu pé, mas sempre numa cadeira de rodas; é certo que o seu falar é, por vezes, difícil de compreender, mas a sua cabeça continua lúcida. Apesar dessas limitações o Santo Padre tem a humildade de se apresentar em público e é sempre aplaudido com um calor humano, como nenhum chefe político o é.

Tem o condão de atrair as multidões e mesmo idoso e doente e frágil, entusiasma a juventude, apesar de lhes apresentar sempre modos exigentes de estar no mundo e que os jovens aplaudem, enquanto os «velhos do Restelo» o apelidam de retrógrado e conservador!

The Times no seu editorial de 17 de Outubro escreve: “O maior triunfo do Papa é manter a mensagem cristã como uma força vibrante numa época em que a religião está convertida em algo de irrelevante para as sociedades materialistas ou numa fonte de divisão”. Não esqueçamos que The Times não é um jornal papista!

Aura Miguel escreveu um outro livro – O Segredo que Conduz o Papa – A experiência de Fátima no pontificado de João Paulo II, onde patenteia a enorme devoção do Papa a Nossa Senhora de Fátima de quem se considera um miraculado. Naquele dia 13 de Maio de 1981, a bala assassina que o devia matar, foi miraculosamente desviada da mais importante artéria abdominal, evitando uma hemorragia fatal. Em Portugal, na Cova da Iria decorriam as cerimónias habituais do 13 de Maio. Coincidência? Milagre? Eu inclino-me para a segunda hipótese.

Mas João Paulo II tem um outro segredo a conduzi-lo e que nos é desvendado por Mons. Tauran: “As grandes decisões de João Paulo II sempre foram concebidas e tomadas de joelhos, em frente do Sacrário da sua Capela privada”. Esta é a dimensão oculta do Papa – o seu profundo espírito de oração, o viver constantemente mergulhado em Deus, numa contemplação que nada perturba, nem mesmo as 102 (!) viagens que já realizou fora de Itália.

Um dia numa das muitas viagens o Papa ia a rezar o Breviário. Um dos seus colaboradores ousa interrompê-lo dizendo que chegou de Roma um telegrama muito urgente. O Papa, continua rezando e o mensageiro insiste: Santo Padre, é um assunto urgente. O Papa depois de ter ouvido esta frase umas duas ou três vezes, levantou os olhos, apontou para o Breviário e disse: “Isto é mais urgente” e continuou a rezar todo absorvido em Deus.

O livro “Porque viajas tanto?” é acompanhado de um CD que ilustra cinco dos capítulos e que é o produto da recolha de muita documentação feita pela autora.

Obrigada Aura Miguel pela jóia com que nos quis brindar. Penso que muito ficou por contar, por isso atrevo-me a pedir o resto num provável segundo volume.




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