Fotografia:
Quando a razão bate à porta!

Na medida em que a publicidade – através dos slogans, enredos ou pelo recurso a figuras mais ou menos mediáticas – revela as linhas-força do produto a vender, poderemos tentar reflectir, um tanto despretensiosamente, sobre uma vertente ultimamente em alta ou com mais influência. Referimo-nos ao apelo à razão – descartando a figura em realce, o produto em promoção ou mesmo a subtileza do bater à porta -; parece-nos que estamos a precisar de um maior apelo à nossa capacidade pessoal e interpessoal da faculdade humana da razão.

N/D
7 Nov 2003

Com efeito, quando ouvimos dirigentes político-partidários “desculparem-se” que exageraram com a emoção com que reagiram a certos episódios da vida pública-particular-social, poderemos pedir: deixem-se guiar (mais) pela razão! Quando se nota um certo culto da aparência, elevada à máxima potência, em certos programas televisivos – v.g. “Big Brother”, “Ídolos”, “Operação Triunfo 2” – sentimos que faltam princípios mínimos de racionalidade, tanto para produzir como para digerir tais exaltações da mediocridade, em forma de espectáculo! Quando se faz a exaltação do acto inaugural de um estádio de futebol – apelidado de “catedral” – como novo espaço de culto da pretensa religião (ópio de um certo povo), arrastando uns tal seis milhões de portugueses de forma impulsiva, acrítica e irracional, teremos de questionar: (por) onde anda(rá) a razão de tantos ditos intelectuais, governantes e bem pensantes?
Como portugueses, somos um povo de extremos: fervemos em pouca água, desanimamos à primeira contrariedade e temos «pouca auto-estima». Esta última característica é uma das novas vertentes do nosso linguajar nacional, que, afinal, esconde um certo sebastianismo não enquadrado na hora de digerir as derrotas e, sobretudo, nos eflúvios da vitória. É urgente deixar-se guiar pela razão, sintonizar o bater do coração e ordenar as forças da vontade. Até vivermos esse equilíbrio, vamos tentando escolher – na hora de votar ou do mero ter opinião – o menos mau ou quem saiba harmonizar condignamente o que o povo quer (ou deve) ouvir!




Notícias relacionadas


Scroll Up