Fotografia:
A cegueira e a paixão desordenada de políticos

Todo o cidadão, sério e digno, procurará, na sua actividade política e social, como na sua vida profissional, expressar a verdade e bater-se por ela com dignidade e valentia.

N/D
5 Nov 2003

A política, pelo menos na sua concepção teórica, pretende servir a verdade, a justiça e o bem comum sem se preocupar com facciosismos, com interesses menos dignos, e com violências imorais.

Acontece, porém, que os partidos, por vezes, assumem-se como a única verdade, o interesse digno, e o futuro feliz. E arengando estes vocábulos avançam, quando oposição, para críticas que não respeitam a verdadeira democracia, mas apenas expressam a ambição dos mesmos políticos.

Isto acontece, até, em plano aparentemente abstracto. Vemos políticos, em Portugal, a combater o adversário não pelo programa que apresenta ou pelos princí-pios democráticos que o regem, mas porque não suportam o adversário, o qual não se apresenta como do partido que o critica.

Isto temo-lo observado nos últimos tempos: a “esquerda”, sobretudo a comunista e afins, combate a democracia, a direita, factos registados ainda ultimamente. Por seu lado, os políticos e partidos que não são da “esquerda” criticam os programas dos partidos da “esquerda” mas não condenam a mesma esquerda, até porque está politicamente reconhecida, pois estamos em democracia.

A par com estas realidades surgem outras e uma delas presente entre nós. É esta: a “esquerda”, por vezes, nem respeita o que ela própria fez ou consentiu.

Isto tem-se passado, entre nós, com o Partido Socialista. Este partido, quando governo fez um trabalho desastroso, facto que todos os portugueses conhecem, mas que os socialistas calam e escondem.

Os factos são já da história recente e os portugueses estão agora a suportá-los com grave peso, pois não foi só a política a prejudicada, foi-o, também, a economia.

Isto conduz a um raciocínio muito objectivo e perigoso: quem pode acreditar nos políticos?
Os órgãos de informação, pelo menos os independentes, têm registado a má governação feita pelos socialistas, quando foram governo.

No Diário de Notícias de 1 de Outubro, e na secção “Linhas Direitas”, Luís Delgado escreveu: «Vejamos: em 2002, o líder so-cialista, e a sua bancada, protestavam contra a visão negra da herança económica que o Governo tinha recebido de Guterres. “Nada disso, o País vai bem e recomenda–se”. Em 2003, o discurso mudou radicalmente, em especial quando as evidências são inegáveis. Mas em vez de se colocar numa posição de humildade e reconhecimento dos erros cometidos, o PS “salta” para a catástrofe total, o fim do mundo, o drama pungente. E o mais espantoso é que o faz, como já tinha acontecido, em pleno contraciclo. Quando Portugal estava moribundo garantia uma saúde forte, e quando se vê e pressente uma mudança, o PS anuncia o apocalipse. Em que ficamos?»

Os políticos querem o poder e, para o conseguirem, muitas vezes nem respeitam a verdade, nem aceitam os factos aliás bem conhecidos, e preferem a mentira e a calúnia.

O desejo do poder e a manutenção do mesmo sobrepõem-se à verdade e à aceitação do diálogo objectivo e construtivo.

Isto prejudica os interesses nacionais, prejudica as instituições políticas, prejudica a verdadeira e necessária actividade democrática.

Estamos em democracia há anos, mas infelizmente esta, a democracia, não é respeitada devidamente, porque os partidos, por vezes, dão primazia aos seus interesses, sobrepondo-os aos interesses nacionais.

A oposição não procura nem aceita a persuasão. Quer o que a sua política lhe impõe ou exige.
Eisenhower, notável político norte-americano, dava primazia ao poder da per-suasão. Dizia: «Uma qualidade que se pode sempre notar num líder bem sucedido é a sua capacidade de persuadir os outros. Há, sem dúvida, ocasiões em que um líder tem de tomar uma decisão e providenciar para que seja cumprida, indiferente ao que possam pensar os outros. Mas sempre que é possível persuadir os homens em lugar de dar-lhes ordens – fazendo-lhes sentir que participaram do desenvolvimento de um plano – eles empreendem as suas tarefas com compreensão e entusiasmo».

Compreensão e entusiasmo é o que importa criar na política para a colocar ao serviço da sociedade, em vez de a prender à vontade dos que a comandam.




Notícias relacionadas


Scroll Up