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Factos e comentários

1- Tem-se chamado ao recentemente inaugurado estádio do Benfica a nova catedral do futebol. Considero abusiva a apropriação do vocábulo catedral, um termo cristão que designa a igreja onde o bispo tem a sua cátedra. Ao usá-lo, registo a incoerência de pessoas que, noutras circunstâncias, procuram esquecer as raízes cristãs de Portugal e da Europa.

N/D
30 Out 2003

2 – A contestação ao aumento das propinas parece estar para durar. Como noutros casos, há o direito à greve e o direito ao trabalho. Não entendo porque é que grevistas fecham escolas a cadeado, reivindicando o direito à greve mas desrespeitando o direito de quem quer ir às aulas o poder fazer. Às vezes fico com a impressão de que certos estudantes se consideram acima das leis e actuam como se fossem, apenas, sujeitos de direitos.
3- Ouço, na Rádio, uma entrevista com um futebolista de língua espanhola que poderá vir a jogar em Portugal.

O futebolista, naturalmente, fala o seu idioma. O entrevistador procura falar espanhol, mas não o consegue. Limita-se a tentar dar uma entoação espanhola a um conjunto de vocábulos portugueses e a tratar o entrevistado por tu.

Se não sabe falar espanhol, porque será que o entrevistador não decide falar, lentamente, em português, procurando assim fazer-se entender?

4- Não basta que a mulher de César seja honesta; é necessário que o pareça.
Este ditado muito antigo continua plenamente actual. Não é suficiente que, perante esta ou aquela suspeita, os visados saltem a terreiro a gritar a sua honestidade e a ameaçar com processos judicias que por vezes não passam disso: simples ameaças.

Faz falta que o pareçam. Que não dêem pretextos a que se possa pensar que…
E quando as dúvidas surgirem, que se esclareçam. Que se investigue, até à exaustão. Que os desmentidos sejam acompanhados por provas concludentes.

A transparência deve ser uma prática corrente nas pessoas que ocupam cargos públicos, e não só.

5 – O dinheiro continua a comprar o que não devia ser vendável. Lamentavelmente.
Para certas pessoas é tudo uma questão de preço e não há nada que se não ponha em leilão. É de quem mais der. Até a dignidade e a honra se hipotecam e se vendem.

6 – A independência mantém-se uma palavra bonita. A independência e a imparcialidade.
Depois de escutar tais vocábulos a gente olha e vê tanta dependência e tanto facciosismo!
Quando foi que independente se identificou com comprometido, e imparcial, com vesgo?




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