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Calem-se!!!

O processo “Casa Pia” tem desencadeado uma série de reacções que variam entre a simples euforia típica destes casos e a falta total de coerência e sanidade mental.

N/D
28 Out 2003

Numa altura em que a justiça tem em mãos um dos mais graves e mediáticos casos dos últimos anos, o que deveria suscitar serenidade e sentido de responsabilidade por parte daqueles que têm papéis importantes na sociedade portuguesa, acontece que toda gente parece estar a “passar-se da cabeça”, surgindo todos os dias na imprensa uma série de declarações completamente irresponsáveis e que por vezes roçam até a loucura.
São políticos, dirigentes, advogados, jornalistas, etc. que todos os dias fazem as delícias dos telejornais que sempre arranjam tema para uma boa notícia de abertura.

O Partido Socialista resolveu tomar em ombros as dores de Paulo Pedroso e tornar este caso num caso político-partidário. Ferro é fraquíssimo e o PS de Costa é desnorteado… Qual seria o partido que se lembraria de receber um destacado elemento de uma forma exorbitantemente heróica, quando ele ainda é suspeito de ter cometido crimes pedófilos? Foi um espectáculo triste e degradante aquele que assistimos na Assembleia da República, que só poderia terminar com o regresso do “filho pródigo” às funções de deputado da nação. Isto é o cúmulo do erro… o PS de Ferro vai certamente entrar para o Guiness como o partido e o líder que consegue fazer tantas asneiras em tão pouco tempo. Ferro é fraco e queira o governo que ele se mantenha muito mais tempo na oposição para que os destinos de Portugal sejam mais uma vez entregues à coligação de centro-direita.

O Sr. Procurador fala, fala, fala e fala… não entendo como possa ser assim tão difícil manter uma postura de silêncio e distanciamento face a este caso… Não fale, não diga nada, não entre em polémica, não seja motivo de abertura de telejornais, não intervenha publicamente sobre uma caso como este, porque só causará a turbulência política, social e institucional, sem necessidade nenhuma.

O Sr. Presidente da República parece ter-se lembrado das suas cores e intervém a torto e a direito sobre este caso, sem que nada de jeito faça a não ser estimular a polémica, lançando de forma disfarçada ataques a juízes, mandando recadinhos por meias palavras, cujo destino, muitas vezes, só o próprio deve saber, enfim, o homem que deveria dar o exemplo mantendo uma postura responsável e institucional, passa-se um bocado e segue o caminho dos outros camaradas irresponsáveis.

Como em todas as festas há sempre um palhaço, ou seja, aquele que lá vai alegrando as pessoas que às vezes troçam do seu feitio desastrado. Ora meus senhores e minhas senhoras o cómico desta festa é nada mais, nada menos do que o antigo bastonário da ordem dos advogados Dr. Pires de Lima, que proferiu umas declarações de tal forma ridículas que surpreenderam tudo e todos. Num processo onde se pensava já ter ouvido tudo, onde todo o tipo de barbaridades já pareciam ter sido ditas, tinha de haver alguém que viesse dizer mais umas quantas para reanimar a festa. Comparar o Ministério Publico com a PIDE é daquelas coisas que não pode ser levada a sério e que portanto deve ser entendida como uma declaração infeliz que dados os seus “cabelos brancos” merece que não levemos a sério as suas palavras e as encaremos sob uma perspectiva cómica.

Por seu turno a comunicação social também tem dado o seu contributo para este verdadeiro “arraial” com as suas notícias fantásticas, as suas investigações fantas-magóricas, o entusiasmo dos seus jornalistas de tal forma empenhados no seu trabalho que não conhecem limites às suas acções. Devo falar no caso especial de uma jornalista que não sabe bem se é directora de informação, pivot do telejornal, comentadora ou esposa do director geral e que ultrapassa muitas vezes todos os limites e exigências que se impõem a um jornalismo sério, credível e imparcial. Neste caso como em muitos outros se ultrapassam todos os limites do bom senso e confunde-se liberdade de imprensa com a liberdade individual de cada cidadão ou não se sabe o que significa uma expressão muito simples do dicionário jurídico como “segredo de justiça”.

Respeitem as instituições democráticas do nosso país e de uma vez por todas CALEM-SE e deixem a justiça funcionar e seguir os seus trâmites.

Já é tempo de ser imposta a serenidade visto que ela não impera pelo simples uso do bom-senso…




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