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Criticar sem ofender

Num país livre em que o cidadão possa expressar as suas ideias e opiniões sem mordaças, impõem-se limites que se traduzem na responsabilidade pelo que se diz ou faz, no respeito pelo outro a quem se atribuem os mesmos direitos. O desacordo, a falta de entendimento são apenas a expressão da existência de opiniões, da liberdade e das virtudes de um Estado de direito. Um povo oprimido durante décadas que de súbito acorda para uma realidade diferente, a quem dizem de repente «és livre», começou tarde a compreender o significado da expressão e por certo comete erros ao trilhar o novo caminho.

N/D
25 Out 2003

A humildade e o respeito pelos valores éticos e morais fazem parte dum povo, são virtudes adquiridas no passado e transmitidas geração após geração, ao contrário da liberdade que chegou tarde, em substituição da repressão e medo que em épocas passadas eram a constante no país.
Entendo hoje como conquista fundamental o direito à liberdade de falar, escrever, ler e agir, sem a preocupação de quem ouve, apenas limitado pela lei, pelo respeito e dignidade que todos merecem.
Criticar é acto de cidadania, exercida como direito conquistado, abrangendo todo o cidadão, sem a preocupação ou limites decorrentes de qualquer grau académico.

Espanto-me com os piropos entre figuras públicas, cultas, mas que, ao excederem-se, transmitem uma imagem em nada compatível com o estatuto adquirido perante a opinião pública. Diz o povo e com razão que cultura e educação são diferentes; que falar ou escrever significam comunicar, transmitir, opinar sobre questões que merecem a nossa atenção.

Concordo com os simples, os humildes, homens sinceros, pouco cultos que, utilizando embora um vocabulário pouco erudito, dizem o que pensam às vezes com fundamento em mero bom senso e boa fé, abordam questões cujo conteúdo a todos interessa, criticam factos com objectividade, de fácil análise ou verificação. Não vou nunca entender a ofensa, por mais sofisticada que ela se apresente, ou num contexto de frase bem elaborada. Crítica positiva, com intuito construtivo, pretenciosa ou não, aceito-a; rejeito-a, porém, quando alia pretensão, ofensa, falta de objectividade, mero combate verbal, sem sentido, destrutiva e injusta ou mal fundamentada.

A CRP consagrou no Art.º 37 a liberdade de expressão para todos os portugueses. Entendo aqui também implícita a liberdade, o direito de opinião, motivação para todo o cidadão.

O consenso sempre desejável, quando não obtido, impõe o respeito pelos valores morais, sempre presentes numa sociedade que se pretende justa, preocupada com a evolução a todos ou vários niveis, mas sem melindrar ou ofender o cidadão que merece toda a atenção e respeito. A ofensa não dignifica; pelo contrário revolta o ofendido e gera mal estar na comunidade.




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