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Outro ponto de vista…

Segundo alguma imprensa internacional, o nosso país está profundamente deprimido. Interessante, também, a análise feita por alguns comentadores, alguns, que ontem mesmo enalteciam a fibra lusitana. Somos de exageros, ou estamos nos oito ou, nos remetemos para os oitenta.

N/D
24 Out 2003

Numa análise, que se pretende despretensiosa, concordamos que de facto muito está mal. Percebemos mesmo as razões de algum desencanto que se apossou de um grande número de pessoas.

É triste, lamentável mesmo, verificar que alguns comportamentos dos principais responsáveis do país são incorrectos, nomeadamente os que nos foram dados a conhecer a propósito do chamado caso “Casa Pia”.

É intolerável que saibamos pelos “media”, assuntos que estariam a coberto do segredo de justiça.
É inaceitável que o conhecimento de alguns factos tenha como resposta por parte de alguns dos visados aquela que nos foi dada.

O intolerável da violação do segredo de justiça remete-nos para a questão da responsabilidade de quem tem por competência e obrigação zelar pelo bem público da aplicação da justiça.
Como confiar num poder que é incapaz de guardar um segredo?

Como é possível sabermos pelas páginas dos jornais aquilo que é suposto ser conhecido apenas por um número restrito de pessoas envolvidas numa investigação?

Intolerável, esperemos que haja consequências.

Exigimos responsabilidades, porque queremos continuar a acreditar e a respeitar as instituições.
O elemento substantivo desta situação de vergonha, a quebra sistemática e cirúrgica do segredo de justiça, como dissemos intolerável, pode, contudo, ter um elemento positivo.

Pelo menos, ficamos a saber como se relacionam alguns dos intérpretes dos poderes e, a resposta de alguns é inaceitável.

Objectivamente houve tráfico de influências, aquilo que quotidianamente se apelida de “cunha” e esta situação é inaceitável.

Aquilo que muitas vezes se diz em surdina, afinal parece ser uma realidade. Consequências para os participantes neste jogo de favores… Até ao momento nenhuma! Assobia-se para o lado e espera-se que tudo passe. Em nome de valores, mais altos, mas que só servem interesses mais baixos.

Depois admiram-se que as pessoas, as normais, as que todos os dias confiam nas instituições, estejam deprimidas!

A ser verdade o que se diz e publica, percebe-se a angústia de um Portugal profundo que não se revê em alguns destes actores, brilhantes no palco, representadores por excelência, mas sem substância alguma.




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