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Os factos e os políticos

Nos últimos dias temos assistido, em Portugal, a acontecimentos que nos trazem novidades e surpresas: novidades, pois se trata de acontecimentos, até históricos, e surpresas pelas atitudes dos intervenientes.

N/D
22 Out 2003

Marcelo Rebelo de Sousa registou-o com estas palavras: «O dr. Ferro Rodrigues pediu a demissão do dr. Portas por ele ser testemunha no “caso Moderna”. Testemunha! Não é arguido. Não era suspeito de nada! Mas se for um amigalhaço, arguido num crime de pedofilia, já pode continuar deputado…».É uma afirmação contundente, a qual é objectiva, visto que a regista tal como surgiu para o público.
Outro caso nos chama a atenção pois é grave e a justiça não agiu. O semanário “O Diabo” de 14 de Outubro aponta-o com clareza:

«Com tanta exaltação e mediatização à volta da Justiça perante alegadas cabalas e reais escândalos em curso, que será feito da prometida investigação aos magistrados responsáveis pelo não recurso e consequente prescrição do processo contra o bando de assassinos das “FP-25”?».

Os factos que apontamos registam o sentir de certos políticos, os quais, quando os seus partidos estão em risco de compromisso ilegal, ou calam a realidade, ou a deturpam.

Também nos casos que estamos a apresentar se regista o interesse partidarista de tentar calar a verdade, muitas vezes deturpada, quando publicada.

O semanário “O Diabo” assume posição crítica sobre os factos que vimos apontados. Ei-los:
«O curioso é que Paulo Portas jamais foi réu, sequer suspeito arrolado, no processo. Não passou de testemunha. Mas os socialistas, o apostrofante senhor Ferro à cabeça, julgaram-no e condenaram-no na praça pública e subitamente, Paulo Pedroso que parecia um peão no meio desta guerrilha pouco urbana sai da cadeia. Note-se que apenas se tratava de uma alteração da medida de coacção que lhe fora imposta.

Aliás, dos três juizes que analisaram o seu caso, apenas dois optaram pela residência fixa, enquanto o terceiro preferia a prisão domiciliária.

Foi o bastante para que o PS entrasse em histeria e organizasse um arraial inqualificável em plena Assembleia da República que não ficou mais dignificada do que já estava.

Pelo meio, foliões socialistas de palavra fácil, pensamento lerdo e alguma propensão para a mitologia desdobram-se em declarações em todos os microfones que lhes punham à frente tentando fazer passar a ideia de que Pedroso estava em liberdade plena porque absolutamente ilibado.

Em todo este arraial, em todas estas declarações lastimáveis, o PS não pensa ter andado a politizar a questão e a tentar puxar brasa à sua escanzelada sardinha. Vai mesmo ao ponto de gritar pelo regresso de Pedroso ao Parlamento, quando até há uns dias, considerava que um suspeito não poderia exercer funções políticas».

Trouxemos este factos para os nossos leitores para que vejam como na política, quando se não age com objectividade e seriedade, se prejudica a informação, se deturpam os factos e se buscam as vantagens partidárias.

E vem a suspeita, a censura, a ironia.

É preciso ocupar os cargos, servindo-os com objectividade, verdade e justiça. Importa o cuidado e a atenção com que se escreve ou diz. A curiosidade ocupa também o seu lugar.

O semanário “O Diabo” testemunha-o com esta informação de 14 de Outubro sob o título “Tudo em família”:

«Àqueles que se espantam com o que consideram uma postura parcial da SIC, em particular na apreciação “noticiosa” dos factos que envolveram a libertação de Pedroso, convém lembrar o seguinte: O chefe de redacção da SIC é filho do advogado de Pedroso e casado com a filha de Ferro Rodrigues, também ela elemento da redacção da estação de Carnaxide. De igual forma é figura preponderante na informação da SIC Ricardo Costa, irmão de António Costa, ex-ministro da Justiça».

Abordamos, hoje, um assunto actual, grave, mas oportuno num momento em que tanto se fala da necessidade da linguagem como elemento fundamental do convívio e entendimento político e social.

Infelizmente os órgãos de informação não estão a ser utilizados, devidamente, em muitos casos e momentos da política. Esta espreita as oportunidades de ambiente para os seus êxitos e bate-se por eles de acordo com o objectivo partidário e seu interesse e não com o objectivo nacional que se impõe e, sempre, com a verdade autêntica e não com a informação construída para o êxito pessoal, partidário, político ou económico.




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