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758. Senhor Primeiro Ministro

1Rezam as estatísticas que o Futebol representa 0,4% do PIB (Produto Interno Bruto), emprega cerca de 11 mil pessoas (mais ou menos 0,25% da população activa) e dá ao Estado, apenas, 40 milhões de euros!

N/D
22 Out 2003

Ora, analisando os dados, mesmo a olho míope, ou nu e por qualquer leigo na matéria, a conclusão é óbvia: uma miséria! E mais que isso: um refinado embuste!
Todavia, o Futebol faz correr rios de tinta e despoletar uma panóplia de interesses, seja da comunicação social, seja ao nível de empresas e empresários. A ponto de, pelo Futebol se desatarem uniões, desenvolverem ódios de estimação e lavarem tanques e tanques de roupa suja!

E a atestar a força e a alquimia do fenómeno, lá estão os dez estádios construídos para o Euro 2004, num despudorado desafio ao estado de pobreza, indigência mesmo em que o país se encontra. E a pensar, seguramente, nos milhões porque ficará cada pontapé dado na bola, aí!

2. Mas, assim sendo, senhor Primeiro-Ministro, o que faz tantos políticos correr atrás da bola? E de sapatilhas que é para correrem mais depressa? Até a Sevilha ver o Porto, há tempos, três dezenas de deputados foram e, patrioticamente, convictos de que iam ao serviço da República e, como tal, com as devidas mordomias, inclusive, faltas justificadas!

Santa ingenuidade, ou esperteza saloia?

Ora, toda a gente sabe que os políticos correm assim atrás da bola, porque ela dá votos! E onde cheire a votos, lá estão eles a prometer, a dar, a desbaratar! E numa clara demonstração de que não é o interesse nacional que os move, mas, tão-só, o das meras oligarquias, mesmo que do desporto-rei!

E que melhor prova temos desta subserviência do que a tentativa de crucificação a que é sujeito, constantemente, o presidente da câmara do Porto, Rui Rio, só porque teve a coragem de dar um safanão na situação e separar a política do desporto? Até alguns seus correligionários terçam armas contra a sua ousadia e determinação!

E isto não está bem, não está certo. A César o que é de César e à bola o que é da bola. O que, em termos práticos, quer dizer: menos benesses, menos sujeição, menos dinheiros e maior rigor no tratamento fiscal e mediático do assunto.

Porque, doutro modo, senhor Primeiro-Ministro, quase somos tentados a pensar que, porque aliena as massas, o Futebol interessa ao poder político e facilita sobremaneira, a governação! E isto, em linguagem marxista-leninista, cabe, pura e simplesmente, na categoria de ópio do povo!
Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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