Fotografia:
Com D. Jorge…

No semanário católico “Notícias de Famalicão” de 18 de Julho do ano
corrente, vinha a afirmação de que, em 19 de Junho passado (festa do Corpo de Deus) o Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, falando da Eucaristia, revelou que «quer que haja menos missas à semana e ao domingo, para que as celebrações eucarísticas sejam melhor preparadas e vividas, mesmo que para tal seja necessário reagir contra certas tradições e costumes».
Lido de relance, o texto pareceu-me ousado, quase revolucionário, razão pela qual voltei a ler mais ponderada e atentamente. Não restavam dúvidas: o conteúdo lá estava, expresso em linguagem apelativa e até imperativa: «haja menos missas, à semana e aos domingos».
Fiquei então a pensar no porquê de tal intimativa… Havendo hoje tão poucos jovens a quererem o sacerdócio (apesar de todas as vantagens materiais e espirituais – seminários novos ou renovados, lares sacerdotais de cinco estrelas, vida quase autónoma e folgada, estatuto social acima da média, etc., etc.), os bispos vêem-se já obrigados a distribuir três e quatro freguesias por pároco (há vários casos) e acontece que, em muitas freguesias, o “fazei isto em memória de mim” apenas se realiza uma ou duas vezes por semana…
Menos missas, à semana e aos domingos, onde, porquê e para quê!? Aventei para mim, então, uma explicação justificativa: talvez o facto de alguns sacerdotes (párocos ou não) celebrarem várias missas ao dia ou – o que julgo ainda mais chocante – uma só missa celebrada por várias (dezenas, às vezes) intenções anunciadas e em que se paga o estipêndio integral.
Será por estes motivos!?
Talvez seja, talvez seja… Há por aí muita gente a descrer da Eucaristia e uma das razões fortes é aquela. Diz-se que o celebrante apenas poderá reter o estipêndio de uma intenção, revertendo todo o restante para os fundos da diocese… Pelo visto, porém, as coisas funcionam de modo muito diferente… Há paróquias em que o melhor paroquiano parece ser o “sacramento do tabernáculo”…
Não estarão aí «as tradições e costumes contra os quais urge reagir»!? «O povo assim quer» – desculpava-se há tempos um pároco das tais dezenas numa! Como se o povo simples e quase fanático seja o único responsável pelo desabafo de D. Jorge…

N/D
19 Out 2003

Lido de relance, o texto pareceu-me ousado, quase revolucionário, razão pela qual voltei a ler mais ponderada e atentamente. Não restavam dúvidas: o conteúdo lá estava, expresso em linguagem apelativa e até imperativa: «haja menos missas, à semana e aos domingos».

Fiquei então a pensar no porquê de tal intimativa… Havendo hoje tão poucos jovens a quererem o sacerdócio (apesar de todas as vantagens materiais e espirituais – seminários novos ou renovados, lares sacerdotais de cinco estrelas, vida quase autónoma e folgada, estatuto social acima da média, etc., etc.), os bispos vêem-se já obrigados a distribuir três e quatro freguesias por pároco (há vários casos) e acontece que, em muitas freguesias, o “fazei isto em memória de mim” apenas se realiza uma ou duas vezes por semana…

Menos missas, à semana e aos domingos, onde, porquê e para quê!? Aventei para mim, então, uma explicação justificativa: talvez o facto de alguns sacerdotes (párocos ou não) celebrarem várias missas ao dia ou – o que julgo ainda mais chocante – uma só missa celebrada por várias (dezenas, às vezes) intenções anunciadas e em que se paga o estipêndio integral.

Será por estes motivos!?

Talvez seja, talvez seja… Há por aí muita gente a descrer da Eucaristia e uma das razões fortes é aquela. Diz-se que o celebrante apenas poderá reter o estipêndio de uma intenção, revertendo todo o restante para os fundos da diocese… Pelo visto, porém, as coisas funcionam de modo muito diferente… Há paróquias em que o melhor paroquiano parece ser o “sacramento do tabernáculo”…

Não estarão aí «as tradições e costumes contra os quais urge reagir»!? «O povo assim quer» – desculpava-se há tempos um pároco das tais dezenas numa! Como se o povo simples e quase fanático seja o único responsável pelo desabafo de D. Jorge…




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