Fotografia:
Política e bem comum

Andei e ando convencido de que política e bem comum são conceitos que devem caminhar de mãos dadas. Entendo o político como o homem que, fiel à vocação de servir, se entrega ao bem dos outros. E todos os passos que dá e todas as intervenções que tem são norteados por esse objectivo: procurar o […]

N/D
16 Out 2003

Andei e ando convencido de que política e bem comum são conceitos que devem caminhar de mãos dadas. Entendo o político como o homem que, fiel à vocação de servir, se entrega ao bem dos outros. E todos os passos que dá e todas as intervenções que tem são norteados por esse objectivo: procurar o bem da comunidade a que pertence e para a qual trabalha.
Dedicar-se à vida política a tempo inteiro – ser profissional da política – é uma opção que cada um faz. Livremente. É-se político porque se quer mas não deve ser político quem quer. A decisão de se consagrar à política deve resultar da análise que cada um faz das sua capacidades e das suas possibilidades.

Resultando de uma livre escolha, a decisão de se consagrar à actividade política pode nascer de um imperativo de consciência. Faz falta quem se dedique a este género de trabalho. O bem comum exige-o. Se me reconheço capaz, sinto-me no dever moral de avançar, embora isso exija uma forte sacudidela no meu comodismo – poderá raciocinar um cidadão consciente das suas responsabilidades.
Continuo a qualificar a política como uma actividade nobre, que cada dia deve ser mais prestigiada. Vejo nela lugar para quem é honesto, consciencioso, dedicado, sacrificado.

Decidindo consagrar-se, a tempo inteiro, à actividade política, o cidadão que o faz não pode renunciar a compromissos anteriormente assumidos. Refiro, muito con-cretamente, compromissos familiares.
É preciso saber compaginar a actividade política com a qualidade de marido/es-posa, pai/mãe.

Um político profissional deve ter de viver com a dignidade que as nobres funções que desempenha impõem. É mais que legítimo que seja devidamente remunerado. Este é um problema muito sério. Se, para se consagrar à actividade política, um indivíduo tem de deixar uma profissão onde ganha muito mais, naturalmente que pensará três vezes. No entanto, num país onde a generalidade dos trabalhadores não tem salários nem reformas a nível europeu, interrogo-me muitas vezes se não será imoral que o tenham os políticos.

Sei que a questão é delicada, mas as excessivas disparidades salariais – e agora estou a pensar em indivíduos que até ganham muito mais do que os políticos – não soam bem com a justiça social que se apregoa e é necessário seja realidade.

Voltando ao início desta conversa: o político, o homem do bem comum. O homem que pensa nos outros, que se preocupa com o bem dos outros, que procura o bem dos outros.

Custa-me, depois de quanto escrevi, verificar haver casos em que, em lugar de andar de mãos dadas com o bem comum, a política se alia ao oportunismo, ao egoísmo, ao compadrio, à satisfação dos interesses pessoais e de grupo, aos negócios pouco transparentes, à falta de verdade.

Que se não confunda nunca um político com um charlatão, um arruaceiro, um homem faccioso.
A política, a verdadeira política, a política do bem comum é uma actividade muito digna que se não compadece com processos ou atitudes indignos.




Notícias relacionadas


Scroll Up