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A “revolta escolar”

O problema das propinas trouxe a público uma “revolta” escolar, a que temos assistido nos últimos tempos: revolta que congregou os estudantes atingidos pela decisão governamental.

N/D
15 Out 2003

O Presidente do Conselho Nacional de Educação, Manuel Porto, em entrevista de 23 de Setembro ao semanário “O Diabo” teve duas afirmações objectivas, oportunas e corajosas.
Foram estas:

– O problema das propinas é uma questão de justiça social; e

– Quem pode deve pagar, mas «Ninguém pode deixar de estudar por ser pobre».

Estas palavras são a expressão clara do que se deve fazer em relação ao problema que tem agitado nos últimos tempos os estudantes universitários.

Compreendemos que os anos vividos na Universidade são longos e, portanto, serão pesados. Sê-lo-iam, no entanto muito mais pesados e difíceis de suportar para os alunos pobres, o que provocaria, se já não provocou, uma injustiça excessivamente desumana.

Todos reconhecemos que o problema da educação é fundamental na formação dos cidadãos até no plano político. Sem capacidade intelectual para discernir o presente e o futuro, que pretendemos e desejamos não podemos caminhar.

Até neste plano, o escolar, deve ser cuidadosamente tratado para que os cidadãos possam discernir os problemas políticos que vão surgindo ou que se lhes propõem.

Mas a formação académica é fundamental, nos seus vários sectores, pois, além das exigências profissionais, têm uma presença directa com a população em seus diversos Sectores.

A entrada na Comunidade Europeia torna mais premente a exigência do nível intelectual, a nossa preparação para participarmos activamente nos problemas que vão surgir.

Tem-se dito e escrito mal sobre o investimento em sectores da vida nacional, como estamos a verificá-lo neste período em que a “esquerda” política não assume as responsabilidades da sua má governação e tem utilizado estes tempos recentes para criticar o governo, olvidando a herança negativa que lhe deixou.

Manuel Porto, na entrevista já referida, baseia-se em realidades e sobre elas faz os seus comentários, onde a verdade, a educação, o respeito pelo cargo se impõem exemplarmente. Disse: «Temos bons níveis de investimento quando comparados com os dos nossos parceiros: Portugal está em 3.º lugar na União Europeia no que respeita ao investimento público em Educação em percentagem do PIB. O que é preciso pois é investir melhor, e não gastar muito mais. Mais dinheiro não resolve certos problemas. Fazer mais com o mesmo ou pouco mais, investir melhor, é a solução. Como cidadãos responsáveis, que não podemos deixar de o ser, temos que ter bem a noção de que há outros sectores sociais em que não pode deixar de ser o Estado, ou em enorme medida o Estado, a investir, como são os casos da Saúde e da Assistência. Temos pois que ser muito exigentes em todos os sectores, não sendo por outro lado admissível um aumento da carga fiscal, que acaba inevitavelmente por onerar em grande medida, mesmo em maior medida, as pessoas mais desfavorecidas».

É agradável ver uma pessoa a registar os factos com objectividade, sem subordinação à política partidária, mas submisso a uma consciência séria, objectiva e responsável.

A ausência de sentido de responsabilidade e o desvirtuamento dos factos provocam análises deformadas e provocadoras de reacção por parte de pessoas incultas e de pessoas facciosas.

Ultimamente, devido à ausência de possibilidades reais de colocação de candidatos a lugares públicos, sobretudo no ensino, ouvem-se protestos e ignoram-se as realidades nacionais e, até, do estrangeiro.

Manuel Porto disse na entrevista a que já nos referimos:

«Houve, efectivamente, um número significativo de professores e de candidatos a professores que não obtiveram lugares vagos nas escolas. É lamentável que haja desemprego, mas sempre houve milhares de candidatos para centenas de vagas em concursos, por exemplo, na justiça, ou nas finanças e o empregador acaba por escolher os que considera mais qualificados. Temos no nosso País uma alteração demográfica importante que se reflecte no sistema educativo. Temos menos alunos e são necessários menos professores. Há professores no sistema sem aulas por falta de alunos.
Noutros países há, por exemplo, desemprego médico e de enfermagem».

Bem sabemos que a hora que estamos a viver é grave e que os problemas surgem com demasiada frequência também graves.

Acontece, porém que, ouvindo a Oposição política, ouvimos a crítica sobretudo partidária e não a crítica objectiva que todos desejamos, pois a todos nos interessa a verdade e o dever de a aceitar e respeitar.

Infelizmente, é uma característica da oposição política: dizer mal e não ver nem reconhecer o que os políticos do governo fazem. A crítica é necessária, mas a objectividade e a verdade sobrepõem-se à mesma, e tem de ser respeitadas.




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