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Resposta a um “convocado”

Senhor Seleccionador:Em 25 de Setembro, os Correios de Portugal deixaram na minha caixa receptora uma carta-convite convocação, emanada e assinada por V. Ex.cia Convidava-me, convocava-me e exortava-me a cumprir a minha obrigação de português em prol do UEFA-2004 em que, “todos os portugueses vão estar em jogo”.

N/D
13 Out 2003

Pois bem, senhor Seleccionador, aqui tem a minha resposta: pronta, reflectida e sincera.
Ninguém me pediu opinião, antes da candidatura (dizem que custou ao País 500.000.000 Euros) apresentada por Portugal à organização de tal evento. Se é certo que muitos outros países se candidataram e gostariam de ter vencido o concurso, também acredito que outros, atentos às suas limitações de vária ordem, nem sequer pensaram em voos tão arriscados. Foram inteligentes, prudentes, realistas…

Portugal, ainda sem estatura de “grande”, quis mostrar que, mesmo pequeno, é capaz de acompanhar o ritmo dos maiores… Muito bem! – apregoaram uns!

“Estulta arrogância” – gritaram outros!

Vai daí, obras e mais obras, abundância exagerada de novos estádios em zonas mais desenvolvidas, seleccionador (não deveria ser português?!) contratado a preço de ouro, enormes despesas publicitárias, etc, etc.

Agora – (que maravilha!) – sou solenemente convocado a «mostrar aos turistas um Portugal moderno e empreendedor»!

Vamos a isso, senhor Seleccionador! Mostrar o Portugal moderno e, empreendedor, ocultando o mais possível, as carências, as misérias, as chagas sociais, as escolas sem ginásio, os centros de saúde sem condições, as pessoas com medo da insegurança… Isto também constitui, infelizmente, características do ufano Portugal organizador…

Mas, vamos lá! Já que, tão solene e ovantemente, assumimos tão pesado compromisso internacional, vamos dar as mãos, (“unidos”, “coesos”, “com espírito ganhador”), para que Portugal, sem perder a cabeça com excessos condenáveis, se saia bem, na batalha em que voluntaria e arrogantemente, quis meter-se com, promessas ou convicções de ganhar…!

Aos jogos, directamente, desde já digo não assistir a nenhum (sofro da vista) mas, através da “TV”, baterei palmas ao bom futebol e malsinarei tudo quanto, no relvado e fora, correr mal…




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