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A “escola” dos jornais escolares

Surpreender a vida de uma escola através dos jornais que produz é um exercício em que por “dever de ofício”, digamos assim, estive envolvido na semana que passou. E o resultado não poderia ser mais motivador e gratificante.

N/D
13 Out 2003

Várias escolas desta região do Baixo Minho figuram entre as premiadas, designadamente no escalão do 1.º Ciclo (Escola da Ponte, com o 2.º prémio e Escola de S. João do Souto, em Braga, com o 3.º) e do Ensino Secundário (Escola Secundária Francisco de Holanda, Guimarães, com um segundo prémio ex aequo). Trata-se de um concurso anualmente promovido pelo jornal “Público” (através do “Público na Escola”), em parceria com várias entidades, com destaque para os Ministérios da Educação e da Ciência e a Porto Editora. Na edição relativa a 2002-2003 concorreram mais de 350 escolas de todo o país, sendo opinião partilhada pelo júri que o nível geral dos trabalhos apresentados subiu de forma acentuada.
É evidente que muitos destes jornais têm a marca dos professores. Estranho seria, também, que a não tivesse. Mas são sempre – e talvez o sejam cada vez mais – um meio de participação e de tomada da palavra por parte dos alunos e da comunidade escolar. E as versões digitais, na Internet ou não, que tenderão por certo a crescer, também no caso da escola dificilmente porão em causa as versões em papel.

Apesar dos progressos manifestos do nosso jornalismo escolar, eu gostaria de ver estas publicações a caminhar no sentido de se tornarem menos um arquivo de realizações e mais um órgão de informação e debate da vida da escola e da comunidade local, eventualmente em parceria com jornais e rádios locais. É ainda raro encontrar publicações que dêem notícia daquilo que vai acontecer. E compreende-se porquê. Mas há passos que poderiam ser dados: instituir práticas de atenção e captação do que acontece ou está programado na instituição ou no agrupamento; reduzir o número de páginas e aumentar a frequência das edições; criar layouts que tornem o processo de produção mais expedito; e entrosar mais o jornalismo escolar com as aprendizagens e o currículo escolares. Algo deste tipo já está, em vários casos, a ser praticado, mas há ainda muito caminho a percorrer.
Era preciso que quando um número do jornal saísse tivesse, de facto, informação em primeira mão que fosse novidade não apenas para a comunidade escolar como também para os órgãos de informação locais. Mas isso pressupõe uma cultura escolar em que não só haja iniciativa e dinamismo, mas haja, de facto, comunicação e participação. O jornal deveria ser expressão e motor dessa cultura.




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