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Civismo por onde andas?

Antigamente falava-se em boa educação. Agora fala-se em civismo. O que se pretendia antigamente era o mesmo o que se pretende hoje: que as pessoas saibam conviver, sejam educadas umas para as outras, e que a nível social, a convivência se faça sem atropelos mas de maneira simpática e agradável.

N/D
10 Out 2003

As lamentações dos mais antigos são mais que muitas: “hoje não é nada como o meu tempo”; isto é tudo uma bandalheira”; “não há respeito por ninguém”; “Hoje a juventude não se pode aguentar”; “só se vê malcriadez por toda a parte”, etc, etc.
Pois é, assim vai o mundo. Ou: adeus mundo cada vez pior.

Se se for dar ouvidos a estas lamentações, o gosto por viver e conviver vai mesmo acabar. O que vale é que há muitas coisas boas ainda, por esse mundo fora e neste nosso tempo. Mas não duvidamos que há muitas coisas que não estão certas e, por isso, poderemos continuar a perguntar: “civismo por onde andas?”

Há tempos alguém me contou este acidente; uma senhora andava a trabalhar junto à estrada, debaixo duns limoeiros e eis que por cima dos muros e da estrada surge um saco com lixo (restos de comida, plásticos e garrafas de vidro) e cai-lhe na cabeça. Um “galo” ficou como marca. Aliás, naquele espaço, outros sacos de lixo são encontrados com frequência. É o caso para perguntar: “civismo por onde andas?”

Quem percorrer muitas das nossas ruas, com frequência vê a correr as águas pelas valetas cheias de espuma dos detergentes que escorrem das cozinhas das lavagens de louça e sei eu lá mais o quê! É o caso para perguntar: “civismo por onde andas?”

Quem passar ali junto de Santo António pela meia noite ou depois dessa hora, que feche o nariz porque as fossas estão abertas, elas correm pelos canos das águas pluviais e o ambiente cheira que tresanda! É o caso para perguntar: “civismo por onde andas?”

O ter civismo não é só falar bem, ter bons modos, ser cortez para com as senhoras, dar prioridade aos idosos, crianças e deficientes, não chamar nomes e ninguém e andar bem arranjado… é também não deitar sacos de lixo para a quinta ou prédio do vizinho, não escoar as águas das lavagens das cozinhas para a via pública e também não despejar os esgotos para os canos das águas pluviais. Por aqui passa também a boa educação e o civismo que hoje tanto se apregoa e tão pouco se pratica.

Há pessoas indignadas com isto tudo, pessoas mal dispostas, dizendo mal da sua sorte.

E quando forem pôr cimento no final dos tubos, lá em baixo, como é que a terra vai aguentar o cheirete infernal? Será a única solução? Já ouvi falar que será mesmo essa a solução!




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