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“Triângulo do mal”

João Jardim, Presidente do Governo da Madeira, costuma ser claro, desassombrado, objectivo e frontal, sempre que fala para o público.

N/D
8 Out 2003

Há pouco, no início dos trabalhos do partido político, a que pertence, foi contundente, e teve afirmações que os políticos, mormente os da “esquerda” não gostam de ouvir. Mas foi objectivo, ao dizer:
– «A cobardia política de quem faz as leis não é suficiente para poder ultrapassar as dificuldades que temos»;

– «A cobardia política que se instalou neste país não faz com que se meta gente delinquente na ordem e, pelo contrário, quem é criminoso anda à solta»; e

– «As polícias andam a brincar aos sindicatos».

João Jardim, antes de proferir estas palavras, abordou o essencial da vida política num país nobre, propondo os grandes valores de uma Nação para iniciar a sua intervenção. E esses valores foram com toda a clareza e objectividade: “os ideais da pátria” e a “alma da nação”.

Fazendo-o, João Jardim fê-lo num momento em que os políticos, mormente os de “esquerda” olvidam, conscientemente, essa realidade política, que deve ser sempre actual, sempre objectiva, sempre frontal.

João Jardim, no entanto, depois de haver feito uma introdução oportuna e patriótica, apontou as causas actuais que provocam o mal-estar social, nacional e patriótico, que reuniu sob o título o “Triângulo do mal”. Disse: Temos deixado que o “triângulo do mal – um triângulo onde há interesses económicos muito suspeitos, onde há uma classe política em Lisboa que ignora o resto do País, onde há uma comunicação social sem categoria – destrua a alma de Portugal”.

João Jardim referiu-se também aos comunistas. Disse: «Os fascistas – comunistas são ainda uma importante percentagem em Portugal e que a administração pública está infiltrada pelo PCP. «Não fazemos saneamentos, não tiramos o pão a ninguém, como esses fascistas fizeram, mas intendemos que essa gente não pode estar em lugares de chefia, porque sabotam o Estado».

Quem acompanha a política nacional portuguesa certamente que admira a frontalidade com que João Jardim se expressa, apesar de ser duro e espontâneo.

Acontece, porém, que João Jardim provocou melhorias profundas e amplas na Madeira, aos seus habitantes que o têm, em democracia, mantido no lugar cimeiro da política local, há mais de 20 anos.
A atitude pessoal e política de João Jardim contrasta com a de muitos que se interessam pela política nos seus partidos ou sectores.

O interesse dos habitantes da Madeira pelo bem-estar económico, social e político domina-o e é por eles que se bate.

Temos assistido neste período democrático em que estamos a viver a lutas pelo poder, a promessas sem limites, a afirmações sem respeito, por vezes, pela verdade e pelo adversário. Não se ouve falar, como seria indispensável e oportuno para a política, em ideais da Pátria, temos ouvido e temo-los visto bater-se por interesses partidários, que colidem, por vezes, com os verdadeiros interesses nacionais.

Quando ouvimos na Assembleia da República os debates, alguns parecem-nos trazidos de muito longe do ambiente que se impõe naquela Instituição.

Vamos ter de enfrentar o debate da União Europeia no que respeita à Constituição da mesma.
É ocasião oportuna para ver e julgar se tudo o que está pensado e redigido nessa Constituição será aceite pelos que, até entre nós, só falam de liberdade sem responsabilidade.

E podiam, e deviam fazê-lo, se tivessem procedido correctamente quer no plano ideológico quer no plano patriótico e político.

Ainda não foi aprovada a Constituição da União Europeia e são muitos e bem autorizados os que se lhe têm referido, entre eles o próprio Papa.

Temos, porém, sob os nossos olhos, um texto do bispo auxiliar do Patriarcado Latino de Jerusalém, D. Kamal – Hanna Bathish, muito claro, muito objectivo, muito oportuno. Ei-lo: «A Europa não é África, não é Oceânia. É um continente muito especial, fonte de cultura, civilização e democracia, que não podem perder-se. Reconhecer não é ofender, e não pode ignorar-se a presença do cristianismo, nem os serviços da Igreja. Se não querem falar de Igreja Católica, então que falem de cristianismo.

Da mesma maneira que a Europa não começou no Renascimento, tão pouco agora pode construir-se de novo e olvidar o que existe de antes. Alegro-me com a criação da União Europeia, mas tenho medo de que esta União Europeia destrua a Europa».

Trouxemos este texto para os nossos leitores e fizemo-lo para uma aproximação das palavras que citamos de João Jardim, quando, ao referir-se ao problema político nacional o faz subordinando a política aos “ideais da Pátria” e “à alma da Nação”. Quando se ouve a política da “esquerda” esses ideais não contam e, se deles falam é para os subordinar à sua política partidária.

“Os ideais da Pátria”, para a esquerda, não são os que a História já consagrou, mas a política partidária com os seus intuitos e ambições.

João Jardim foi objectivo, não cuidou de ambições pessoais, ou de políticas pessoais ou partidárias, apenas, e só, pensou no Portugal com séculos de existência e com uma política nacional, ao serviço da verdade histórica, do seu presente e do seu futuro.




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