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756. Senhor Primeiro-Ministro:

1O exemplo do ministro da Ciência e do Ensino Superior, Pedro Lynce, é de registar como cartão amarelo a muitos que por aí pululam a fim de porem as barbas e as pêras de molho. Além disso, a sua demissão mostra que, para além das instituições e suas inerentes fragilidades, deve estar o homem e sua honorabilidade.

N/D
8 Out 2003

Não está em causa, aqui, somente, o favorecimento de outro membro do Governo, ou até de um amigo pessoal. Mas, essencialmente, a lei e o seu cumprimento. E, acima da lei, não pode estar cidadão nenhum (gordo ou magro, grande ou pequeno, nobre ou vilão)!
Depois, a administração pública tem de dar o exemplo. Não fora ela paga por todos nós e estar ao serviço de nós todos. A transparência, honestidade e legalidade são atitudes a que não pode eximir-se.

Mas, desgraçadamente, o país, por força do compadrio, favorecimento e clientelismo tem sido fértil em casos Pedro Lynce. E que continuam, escandalosamente, encobertos e impunes.
Porque não há coragem, não há homens!

Então, não se demite mais ninguém? Ninguém mais vai embora?

2. Todavia, senhor Primeiro-Ministro, Martins da Cruz, para erradicação completa da nódoa que caiu no tecido, tinha que demitir-se ou ser demitido. Para mim, moralmente, é mais culpado que Pedro Lynce. Até porque ninguém acredita que sua filha teceu sozinha o imbróglio. O pai, o seu poder, a sua condição institucional, a sua sombra pairou, sem dúvida, sobre o assunto.

Mas, não se demitiu logo, nem foi demitido? E ainda, numa atitude de arrogância e displicência, declara a todo o país que a filha vai estudar para o estrangeiro! Errado!. Tão ladrão é quem rouba, como quem manda roubar, diz o povo.

E o Governo só tinha a lucrar com a demissão de Martins da Cruz, mesmo que não tivesse movido uma palha, que não tivesse intervenção no assunto, assumisse as suas responsabilidades. Porque, tal como à mulher de César, não lhe basta ser honesto, tem de parecê-lo!

E porque já noutros tempos, Cavaco Silva foi vítima de alguns ministros pelos quais fez votos de lealdade e confiança, em circunstâncias similares, o senhor Primeiro-Ministro não devia nunca sair em defesa de Martins da Cruz. Porque nunca deve temer a verdade, a honestidade, a lealdade. Há que temer, sim, a suspeita, a dúvida, a insinuação. Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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