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Avaliação das escolas

1Pelo terceiro ano consecutivo foram tornados públicos os resultados obtidos pelos estudantes do Ensino Secundário nas provas do 12.º ano. Esse é um instrumento que permite ajuizar da qualidade do trabalho produzido nas escolas, podendo concluir-se, pelos resultados obtidos, quem ensina melhor.

N/D
2 Out 2003

2. Há quem goste e quem não goste desta divulgação. Por mim, acho-a muito positiva e espero que continue. É uma forma de conhecermos a situação e pode funcionar como incentivo a que, quem não obteve bons resultados, procure melhorar. Porque é possível melhorar. Como escreveu José Manuel Fernandes no «Público» de 27 de Setembro, «o estudo dos ‘rankings’ e as comparações que agora podem ser feitas olhando para a experiência de cada escola e para a sua evolução mostram-nos que não existem receitas únicas para o sucesso e que o fracasso não é uma fatalidade sempre que as condições são mais difíceis.
É estimulante, por exemplo, acrescenta, ver como algumas escolas do interior e das regiões mais pobres do país encontraram formas de fixar os professores, desenvolveram mecanismos para acompanhar o estudo dos alunos, procuraram ocupar o tempo que passam na escola e, com isso, passaram dos últimos lugares da lista para meio da tabela».

3. Adversário como sou do monopólio estatal do ensino, gostei de saber que é privada a escola que obteve a média mais alta no conjunto dos oito exames nacionais do 12.º ano com maior número de alunos inscritos e são privados os oito estabelecimentos de ensino que se seguem. Sem me regozijar com o mal dos outros, gostei igualmente de saber que das dez escolas com a média de classificação mais baixa, oito são públicas e duas são privadas.

Continuo a pensar que o ensino não estatal faz falta, é um bem para o País, deve ser estimulado para que os pais possam ter alternativas, e tem de ser devidamente apoiado para que os mesmos pais não sejam economicamente penalizados.

4. Não quero, ao reflectir sobre o trabalho que se faz nas escolas, atribuir culpas seja a quem for. Cada um dos responsáveis que meta a mão na consciência e veja se tem feito o que e como deve fazer. E que a comunidade veja se tem dotado as escolas dos indispensáveis meios de trabalho.

Perante a classificação das escolas há que procurar descobrir porque é que as coisas acontecem.
Porque é que uns obtêm bons resultados e outros não. E agir em consequência, utilizando os meios possíveis para que o sucesso se generalize.

É fácil, num caso de insucesso escolar, apontar o dedo a professores porventura menos cuidadosos, menos exigentes, talvez menos competentes. Mas o problema não está só aí. Há estudantes que não recebem o mínimo estímulo e são prematuramente aliciados para o mundo do trabalho. Há estudantes que poderiam ir longe se tivessem em casa tempo e ambiente para estudarem. Há pais que poderiam ver os seus filhos com melhores classificações se, na prática correcta do princípio da subsidiariedade, alguém os ajudasse, criando salas de estudo acompanhado e promovendo formas de os estudantes ocuparem, com utilidade, o tempo que o horário escolar lhes deixa livre. Se todos pudessem dispor de meios que lhes permitissem continuar ou desenvolver o trabalho feito nas escolas.

5. Ao pensar nas escolas, não nos esqueçamos, de que estas não existem só para ensinar. É sua missão, também, educar. Ajudar os alunos a desenvolverem-se no seu todo. E não está correcto tolerar faltas de educação a um aluno porque, no respeitante ao ensino, tem bom aproveitamento. Exige-se das escolas que formem todo o homem – há a escolaridade obrigatória – e o homem todo. Exige-se das escolas que não tenham medo de educar para um conjunto de valores que devem ser preservados e respeitados. Não se concebe um professor que não seja um educador, pelo exemplo e pela palavra. Toda a comunidade escolar deve ser uma comunidade educativa.

Ao contrário do que acontece com o ensino, não é fácil avaliar do nível educativo de cada escola. Mas é absolutamente necessário que este aspecto não seja de forma alguma descurado.

Pelos resultados obtidos pode-se ajuizar de quais as escolas que melhor ensinam. E quais as que melhor educam?

Isso gostava eu de saber.




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