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Senhor Ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente

1Não lhe venho falar de Cidades, nem do caos urbanístico que as tem invadido, mormente por incompetência, incúria, corrupção e especulação imobiliária de muitos autarcas que nada percebem de urbanismo, ou se deixam levar pelos homens do betão! E muito menos lhe falarei de Ordenamento do Território, quando a lei que impera é mesmo a da selva com reservas agrícolas devassadas, zonas florestais desvirtuadas, ninhos ecológicos destruídos e património arquitectónico e cultural desmantelado!

N/D
1 Out 2003

Decididamente, a descentralização administrativa e o alargamento de competências aos órgãos do poder local têm sido autênticas bombas de fragmentação nas mãos de muitos decisores sem escrúpulos, nem estatura humana, cultural e cívica.
E recuar, agora, é quase impossível, porque o que está destruído, ou desvirtuado não volta mais ao que era e o poder local mantém tamanho leque de prerrogativas, ganhos e obstinações (das quais a mais evidente é, sem dúvida, a não limitação de mandatos) que, obviamente, nenhum poder central tem a coragem política de o afrontar e fazer recuar!

Por isso, entendo que a existência de Ministério das Cidades e Ordenamento do Território tem pouca, ou nenhuma razão de ser. E, seguramente, pelo que já nunca pode fazer!

2. Agora, um Ministério do Ambiente, sim, porque vida há só uma e cada vez mais ameaçada. No que cada um de nós tem a sua quota – parte de responsabilidade.

Todavia, senhor Ministro, somos mesmo um país de bananas e aldrabões. Capazes de pôr num sítio o ramo de loureiro e noutro vender o vinho. Por exemplo, o que se passa com as praias de bandeira azul é sintomático. Bandeira azul é sinónimo de águas e areias em boas condições de utilização e salubridade.

E como aqui se chega? Pura e simplesmente, através de algumas análises antes da época balnear, após o que se faz concurso e pronto e como a coisa ainda vai menos mal… assim se ganha a bandeira azul!

Só que depressa chegam os índios à praia e com eles a lixeirada pelos areais e esplanadas. Já para não falarmos nas descargas de efluentes que continuam Verão dentro a fazer-se para as águas do mar!

E alguém mais limpa os areais? É o limpas! E alguém mais impede as descargas de efluentes? É o impedes! E fiscalizar, alguém fiscaliza? Era doce!

Mas, a bandeira azul, desfraldada, lá continua para orgulho bacoco das entidades e delícia amarga dos pacóvios!

Porque, no terreno, a coisa é só mesmo digna de bandeira preta! E bem preta! Claro, de verdadeiro tuga!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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