Fotografia:
O homem sonha, a obra nasce e o “parolo” sofre…

Mas quem foi o brilhante homem que se atreveu a sonhar com uma imbecilidade destas? Esta é a pergunta que eu faço a mim mesmo todos os dias quando saio de minha casa para a variante que funciona como “circular” da cidade de Braga.

N/D
30 Set 2003

Todo o santo dia acontecem nesta circular acidentes, uns menores outros maiores, que resultam na sua esmagadora maioria do vazio intelectual de quem se lembrou de planear e colocar em prática esta obra dos infernos. Bem sei que quando Deus distribuiu a inteligência havia quem estivesse a “ver passar navios”, mas tudo o que é demais é erro e neste caso mais errado é quando se tenta remediar o mal feito, com um mal ainda maior.
Aquela que é conhecida como a variante do “carrefour” é palco de acidentes com uma frequência assustadora e tudo porque alguma “mente brilhante” se lembrou de a construir sem separador central, sem protecções laterais para impedir os peões de a atravessarem pelo solo, sem se lembrar que as saídas para as zonas residenciais devem ter um espaço razoável que dê para que os veículos as usem sem se colocarem em perigo… enfim sem um número de coisas que não escapam ao mais comum dos analfabetos em termos de planeamento de trânsito. É inacreditável como alguém conseguiu fazer tanta asneira num espaço tão curto…

No entanto, quem entra em Braga pela mesma via rápida no sentido oposto, tem a oportunidade de apreciar um belo quadro da cidade no viaduto construído em zig-zag junto da “Quinta da Capela”. Repare o caro leitor que após uma subida, aparece de repente a cidade como que se de um quadro se tratasse, com uma paisagem magnífica, sobretudo se for nocturna… mas cuidado, não se perca de encantos porque logo a seguir terá de pôr em prática os seus dotes de condução para conseguir fazer o zig-zag em viaduto que rapidamente surge, à velocidade permitida. Desejo-lhe a boa sorte que outros não tiveram… e que seja um às do volante! Pense que tudo isto é por várias boas causas. Se olhar bem para o local a que me refiro verá que assim se evitou mudar um estaleiro de um empresário da construção civil de lugar, bem como permitir a edificação de uma série de habitações que podem assim desfrutar de uma magnífica paisagem sobre a dita circular e sobre a cidade.

Não diga, porém, nada a ninguém, não se vá a mente brilhante lembrar de tentar corrigir e fazer ainda pior como é costume… mal por mal mais vale deixar estar como está!

Quantas mais pessoas terão de morrer ou ficar feridas para que esta gente se aperceba que pura e simplesmente não sabe fazer as coisas como deve ser? Como se costuma dizer: quem não sabe pergunta, ou por outra, quem não sabe não faz borrada e deixa quem sabe fazer.

Mas o pior de tudo isto é que neste caso a culpa morre solteira e ninguém é responsabilizado pelos erros que comete, pelas vidas que rouba, pelos danos que causa. Como é que estes senhores conseguem deitar a cabeça na almofada e dormir descansados? Provavelmente nem têm consciência daquilo que fazem…

Nem sequer vale a desculpa de que não tiveram tempo para planear as coisas como deve ser porque mais de vinte e cinco anos é tempo que baste… já atendendo às limitações de cada um.

Qualquer dia os “outdoors” de boas-vindas a quem entra na cidade dirão: «Bem-vindo a Braga! Desfrute a paisagem e tente não morrer!» ou, quem sabe, «É bom morrer em Braga!»

Bem sei que a violência destes slogans podem ferir os mais susceptíveis, mas já é tempo de acordar para a realidade e abrir bem os olhos para ver o que se passa à nossa volta.

Não basta aturarmos as paixões ruinosas de uns e ainda temos de nos sujeitar aos sonhos assassinos dos mesmos? Haja paciência…




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