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‘Marcha branca’: compromisso ou alienação?

Braga, Lisboa e Porto preparam-se para levar hoje à tarde a cabo marchas brancas. Esta iniciativa pretende chamar a atenção para as crianças em geral e das que estão (ou possam estar) em situação de risco em particular. Esta marcha é feita em consonância com outras vinte e seis cidades da Suíça e em Bruxelas (Bélgica) e terão lugar noutros dias ainda nos EUA, Canadá, Polónia, Rússia, França, Inglaterra e Alemanha…

N/D
27 Set 2003

Segundo os organizadores portugueses há sete apelos – de âmbito sobretudo legal – que gostariam que fossem atendidos: alteração do Código Penal, para que a prescrição dos casos de crianças que sofrem abusos sexuais se inicie com a maioridade da vítima; tornar o abuso de crianças até aos 12 anos um crime público; agravamento da pena em caso de abuso sexual de crianças quando este é perpetrado de uma forma prolongada; criminalização da venda de crianças, seja qual for o fim; agravamento da pena para o lenocínio e tráfico de menores; maior cuidado dos órgãos de comunicação social no tratamento jornalístico com casos de abuso sexual; criar dispositivos para investigar, conhecer e avaliar a real dimensão dos casos de abuso sexual de crianças em Portugal.
Dir-se-á que estes apelos/pretensões são o mínimo do bom senso, embora nem sempre a questão tenha sido bem equacionada ou mesmo difundida ao tratar o problema da ‘casa Pia’ e suas implicações no tecido social, político e moral português.

À semelhança do que acontece noutros países – note-se que esta marcha teve lugar na Bélgica poucos dias (de Setembro para Outubro de 1996) após a descoberta das atrocidades e morte cometidas contra duas crianças – a ‘marcha branca’ é mais uma manifestação silenciosa do que para fazer soar palavras de ordem acusatórias ou reivindicativas. Se bem que o vestir de branco e o marchar em silêncio valerá por todas as chispas incendiárias aos prevaricadores.

Mesmo que não se possa estar presente na ‘marcha branca’ esta poderá mobilizar a vontade de todos para sabermos respeitar a integridade física, psíquica, moral e espiritual das crianças como pessoas; para estarmos atentos às ofensas ao seu crescimento equilibrado em matérias tão diversas como a inteligência, a afectividade, a emotividade e a capacidade de aderirem à dimensão divina da sua personalidade em maturação; para – como adultos também eles em processo de maturidade evolutiva – sabermos viver a nossa responsabilidade em nos tornarmos referência pelo testemunho e pela segurança àqueles de quem somos (e devemos ser) educadores, seja qual for a tarefa vocacional, profissional ou mesmo social.

A ‘marcha branca’ é compromisso mais do que moda alienante. Assim saibamos vivê-la, de forma presencial ou acompanhando-a pela comunicação social. Afinal, estamos a contribuir para um futuro mais digno das nossas crianças!




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