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Saber receber

Não tarda muito, estaremos às portas de mais um ano lectivo no Ensino Superior. É precisamente por essa altura que costumo ser invadido por um sentimento de comiseração por todos aqueles que irão ingressar pela primeira vez numa universidade.

N/D
25 Set 2003

Esse sentimento surge logo a partir do momento em que me recordo das provações pelas quais terão de passar os pobres caloiros – e que eu próprio já tive a infelicidade de experimentar – durante as afamadas praxes académicas.
Na verdade, durante o período em que estas decorrem, os novatos são obrigados a todo o tipo de ofensas, por vezes físicas, e de provas humilhantes impostas pelos “doutores” de capa negra – cujas ordens devem ser seguidas incondicional e impreterivelmente, condição sine qua non para se poder pertencer ao universo académico – que se refugiam no argumento de quererem manter viva uma tradição pela qual eles também tiveram de passar.

É, pois, esse desejo de vingança de quem já passou pelo mesmo que impede que se altere um costume deprimente, que só demonstra desrespeito e primitivismo e que substitui, incompreensivelmente, uma verdadeira recepção de boas-vindas aos novos alunos, na qual estes pudessem sentir-se verdadeiramente bem-vindos a um local onde irão passar os próximos anos das suas vidas.

Assim, urge unir esforços entre todos – pais, reitorias das universidades, professores, associações académicas, alunos – de modo a acabar com este modo vil e inadmissível de receber quem chega pela primeira vez, e que só serve para exorcizar o verdadeiro espírito académico e que pode originar traumas de difícil, ou mesmo impossível, recuperação.




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