Fotografia:
Cuidar do jardim

Com data de 15 de Setembro publicou a Conferência Episcopal Portuguesa uma Carta Pastoral intitulada “Responsabilidade solidária pelo bem comum”. Nela se passa em revista um conjunto de comportamentos a corrigir na sociedade portuguesa e se apela à colaboração de todos na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna, assente no primado da pessoa humana e no reconhecimento da sua dignidade.

N/D
25 Set 2003

No número quatro daquele documento enumera-se um conjunto de sete pecados sociais:
– os egoísmos individualistas, pessoais e grupais;

– o consumismo;

– a corrupção;

– a desarmonia do sistema fiscal;

– a irresponsabilidade na estrada;

– a exagerada comercialização do fenómeno desportivo;

– a exclusão social.

A existência destes pecados sociais é uma realidade que não podemos ignorar mas que temos de saber contrariar, não nos deixando vencer pelo desânimo nem olhando a situação como um fatalismo inevitável. «Há que contrapor, diz a referida Carta, um espírito de responsabilidade participativa, justa e solidária na procura do bem comum e na construção do projecto comum de sociedade» (n.º 26).

Por isso, uma das tónicas da Carta é a convicção de que é possível mudar para melhor, se nos quisermos empenhar nisso. «Portugal pode ser diferente, com o contributo positivo de todos. Os cidadãos devem ter consciência da sua responsabilidade no crescimento da sociedade como comunidade» (n.º 1). «Com esta Carta Pastoral, escrevem os Bispos, queremos ser apelo à responsabilização de todos na construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais solidária. Interessa ver a crise ou as crises com olhar confiante, discernir os problemas com análises responsáveis, e assumir atitudes participativas e construtivas do bem comum» (n.º 5), pois «todos são responsáveis por todos» (n.º 12; 32). «A preocupação pelo bem comum, assente na igualdade, na justiça e na solidariedade, é dever de todos os cidadãos» (n.º 15).

Uma outra ideia muito repetida na mesma Carta é a da participação. Que ninguém cruze os braços. Faça cada um o que pode e deve, para que isto mude. «Todos têm o direito e o dever de participar na construção do bem comum da sociedade» (n.º 7). «Ninguém pode ficar excluído da participação na vida da comunidade» (n.º 15). Exige-se de todos uma participação responsável, crítica, solidária, activa (n.º 16, 17, 24) nos vários sectores da sociedade.

Recordou-me esta Carta Pastoral um soneto de Correia de Oliveira onde se diz que a «pátria não é mais do que um jardim, onde nós todos temos um canteiro». Que cada um cuide do seu canteiro. Que cada um assuma a responsabilidade que lhe cabe na construção de um mundo melhor. Que cada um faça a sua parte. Que cada um faça por evitar os tais pecados sociais, para que tenhamos um jardim sem quaisquer ervas daninhas.




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