Fotografia:
Outonadas

O Outono é uma das quatro estações do ano.Por ordem numérica não sei se é a primeira ou a segunda, a terceira ou a quarta estação, pois são vários os calendários do globo e diversificadas poderão ser também as razões indicativas de prioridade.

N/D
22 Set 2003

De ciência certa, sabe-se o tempo de entrada e a ocasião da saída do calendário e, por experiência vivida, após tantos anos, conhecem-se as características com que se costuma apresentar, no decorrer do ano.
E, quanto a conhecimentos, já não é nada mau.

Entalado entre o Verão e o Inverno, sabe-se também que serve de elo de ligação entre essas duas estações e que é passagem obrigatória para se transitar do calor da primeira para o frio da segunda.

O Outono não tem a policromia florida da Primavera, prescinde do sol abrasador do Verão e dispensa a agressividade do Inverno.

Daí esta estação se apresentar com sol ameno, calor temperado e cores esmaecidas.

Se a Primavera é a estação dos poetas, sem dúvida que, dadas as suaves e melancólicas paisagens desta estação, o Outono terá de ser a estação preferida dos pintores.

Realmente, são tantas e tão variadas as «aguarelas» que, por estas alturas do ano, quer o globo do céu, quer a superfície terrena, apresentam à sensibilidade de todos nós, que qualquer apreciador, com o uso da paleta por modo de vida, fica preso e completamente inebriado.

Não tanto os que gostam das cores vivas e garridas, mas, sim, de quem adora a suavidade da cor e a serenidade do colorido.

O Outono é a estação da tranquilidade e da calmaria.

Tanto assim que, ao sol a pino, ele prefere a luz cansada e abatida do astro-rei a cair no oceano ou a morrer atrás da serra; aos dias grandes, com sesta dormida e merenda apreciada, prefere a brevidade dos dias pequenos; à sombra que acompanha, por todo o lado, os raios do sol, prefere os revérberos iluminados da claridade diurna.

É que a vivacidade do calor deixa-o exausto e ele gosta de bonança; a impiedade da chuva torna-o furioso e ele adora o conforto; a vivacidade colorida da Primavera inebria-lhe os sentidos e ele detesta vertigens.

O Outono é a estação da recolha das colheitas.

Todo o trabalho da Primavera e do Verão tem, agora, o seu epílogo.

À cor negra da terra lavrada e ao verde escuro da planta crescida, segue-se o amarelecer da folha caída e o amadurecimento do fruto nascido.

É a altura do lavrador recolher os frutos e abandonar o campo e a latada, para dar vida, à eira e ao lagar; ao espigueiro e à cuba; à adega e ao celeiro.

Mas o Outono não vive só dos frutos alheios.

Após a alegria da colheita sazonal, inicia a produção das verduras do naval e a germinação de pequenas gramíneas que, morrendo, vão ressuscitar e colorir de verde a paisagem campesina.




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