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Um olhar sobre a cidade…

Cidade pressupõe actividade, movimento, comércio… comparar não é fácil tantas foram as alterações surgidas nas últimas décadas. Ao olhar para trás, fica-nos alguma nostalgia, saudade de coisas que admiravamos e se foram. A evolução tem um preço, às vezes caro; porém, o desenvolvimento tem em cada época uma continuidade, sendo o amanhã um reflexo que fica, como história, para os vindouros.

N/D
19 Set 2003

As gerações sucedem-se e a história dá continuidade à medida que as alterações se sucedem. É pois difícil comparar, mas a tentação é forte e por vezes tentamos recordar imagens perdidas algures nesse passado recente.

É triste ver a cidade ao cair a noite ficar sem movimento, as ruas quase desertas logo que o comércio fecha, sinal de zonas com pouca habitação… Às vezes, no silêncio, alguém segue apressado parecendo receoso no caminhar, inseguro e atento à passagem por locais menos luminosos.

A beleza dos jardins convida a parar e apreciar o local. Porém, esse silêncio, essa pacatez do anoitecer, convida a abandonar o local, a menos que sejamos audaciosos. Ruas quando mal iluminadas não convidam a ver montras, por muito que os saldos sejam tentadores.

Policiamento reduzido ou nulo e ruas quase desertas são um cartão de visita pouco convidativo ao cidadão que, depois do jantar, deseje como outrora passear pela cidade.

Sem pretender dar uma imagem negativa, sou tentado a comparar com uma cidade onde idosos e jovens passeavam ou saíam do cinema, parando aqui e ali, em reuniões mais ou menos familiares, até tarde.

É verdade: até a figura típica do guarda nocturno desapareceu, os eléctricos saíram da cidade e as famílias vivem hoje mais nos arredores. Chegar de comboio a Braga e logo ter ali o eléctrico para o centro era normal…

No Verão, a cidade tinha movimento, vida, gente que passeava pelas ruas e não apenas no centro, até que o sono os convidava a recolher.

No ar deixo a pergunta: será hoje possível passear à noite em segurança pelas ruas da cidade? Responda quem souber; pessoalmente, só o faço por absoluta necessidade.

Naturalmente, existem outras razões que podem explicar e combater este olhar sobre a cidade… que é apenas o meu olhar.




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