Fotografia:
Outro ponto de vista…

Esta semana experienciei o melhor e o pior que tem a política. O melhor, ao ter tido a possibilidade de participar numa lição do Dr. Eugénio Peixoto onde de forma cívica, democrática e urbana, aconteceu política. Num espaço de discordância, momentos houve de absoluta sintonia. Podemos e devemos fazer política sem necessariamente termos os mesmos pontos de vista, ou mesmo situarmo-nos às vezes nos antípodas dos nossos interlocutores.

N/D
19 Set 2003

Óbvio que existe uma exigência prévia, as partes devem pelo menos ter algumas preocupações ético-culturais, nomeadamente um respeito autêntico pelo outro.
O pior da política, ou de forma mais clara, da acção política, vivenciei-o na recente sessão da Assembleia Municipal.

Em tempo útil, fiz saber a quem de direito no Partido de que faço parte da impossibilidade de participar na sessão. Sabia-o, porque ao encontrar-me a desenvolver um trabalho em localidade distante de Braga teria sempre dificuldades em chegar a horas à Assembleia. Solicitaram mesmo assim a minha presença. Fiel aos meus compromissos, ao chegar à Assembleia Municipal desloquei-me à mesa, que aceitou a justificação do meu atraso. Por isso, assinei o livro de presenças.

Eis senão quando ao deslocar-me para cumprimentar um elemento, por acaso, deputado municipal do Partido Socialista, sou claramente insultado por um sujeito que não conhecia, não conheço e nem, com certeza, irá fazer parte do rol de pessoas interessantes com quem tenho a honra de privar.
Perante este facto, o ter sido insultado, solicito à mesa um pedido de intervenção. Quando o presidente da mesa me concede a palavra, procurei explicar o que se tinha passado. De forma pouco elegante é-me solicitado que não continue a intervenção, permitindo-se o presidente dizer que esses casos, os insultos a que eu aludia, são tratados particularmente, isto é, convidando-me a eventualmente resolver o caso à moda de Fafe.

Estes os factos, permita-se-me uma análise política.

Em primeiro lugar nunca recebi um euro que seja pelo desempenho do cargo de membro da Assembleia Municipal. Todo o dinheiro das senhas de presença é entregue directamente ao CDS/PP.

Em segundo lugar, a mesa ao justificar o meu atraso entendeu as razões do mesmo, julgo eu.

Em terceiro lugar, presidente que permite que um dos seus membros seja insultado, não tem condições objectivas de continuar no desempenho do mesmo.

Em quarto lugar, quando sugere, como sugeriu, que as coisas se resolvessem de forma pouco civilizada, eu fico sem argumentos… Fico como fiquei: siderado!

Esta situação ilustra o que de pior tem, às vezes, a acção política. Podemos discordar, não temos que insultar.

A Assembleia Municipal deveria ser o espaço de excelência para o confronto de opiniões e ideias. Bem sei que para isso era preciso tê-las, as ideias, e elas não se criam em mesas de sueca ou mesmo em estádios de futebol.

Post-scriptum: tomei conhecimento, porque fui contactado, que um órgão nacional de comunicação está a fazer uma investigação jornalística em Braga. O escândalo Casa Pia também começou assim, com uma investigação jornalística. Aguardemos os resultados!




Notícias relacionadas


Scroll Up