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Novo ano escolar

Estamos no começo de mais um ano escolar. Com reais problemas cuja solução se arrasta, ou por falta de meios, ou por falta de vontade. Com problemas que os interesses políticos inventam ou exageram. Com uma nova modalidade de colocação de professores que parece ter desagradado a muita gente.

N/D
18 Set 2003

O início de um ano escolar pode ser visto e analisado a diversos níveis e por diversos prismas. Deveria ser, para todos os estudantes, um momento de alegria. Isto porque, para uns, é a entrada num mundo novo e o contacto com novos amigos. Para outros, o reencontro com companheiros, professores e funcionários, após a dispersão das férias. É, para todos, uma oportunidade de crescerem, de melhorarem a sua formação, de verem concretizados alguns dos seus sonhos.

O clima de alegria deve ser criado por todos os que fazem parte da comunidade escolar. E aos mais velhos cabe a responsabilidade de fazerem festa aos que na escola entram pela primeira vez ou iniciam um novo ciclo na sua vida académica.

Esta prática do acolhimento vem sendo exercida no Ensino Superior com a chamada recepção ao caloiro. Que seja uma verdadeira recepção marcada pela amizade e pelo respeito pela pessoa do outro, e não uma «amistosa» forma de tortura ou mais um obstáculo difícil de transpor, marcado, às vezes, por actos que, se não significam irresponsabilidade, revelam sentimentos nada aconselháveis. E que se não recorra ao argumento do culto da praxe ou da irreverência académica para justificar o injustificável. Acolher é procurar que o outro se sinta bem, e não, tratá-lo como objecto de que se usa ou explora.

Também para os pais o novo ano é cheio de canseiras. É, para uns, a necessidade de alterarem horários e percursos, a fim de, à hora marcada, levarem e irem buscar os mais pequeninos à escola, ou de solicitar a avós ou vizinhos que o façam. É o cuidado de, em casa, os ensinarem a gerir o tempo, a fim de que apareçam na escola sem olheiras e com os deveres bem feitos. É a necessidade de arranjarem alojamento condigno e em ambiente de confiança para filhos crescidos que têm de ir estudar fora. É a necessidade, por vezes, de conterem despesas que gostariam de fazer, a fim de suportarem os gastos que um novo ano escolar acarreta. É que a ensino obrigatório – e é bom que o seja – correspondem despesas obrigatórias, que para algumas bolsas são pesadas. Talvez fosse de repensar a política do livro escolar e de estudar a forma de o tornar mais barato e de fazer com que, pelo menos em certas disciplinas, os livros dos mais velhos pudessem ser utilizados pelos mais novos.

É verdade que existem apoios e subsídios. Não tantos quantos os necessários. Mas talvez seja legítimo perguntar se vão realmente para os que mais precisam e para todos os que verdadeiramente precisam.

O começo de um ano escolar é momento para, mais uma vez, se reflectir sobre a liberdade de ensino, um bem desejável mas que na realidade não existe. Estou persuadido de que este sector cada vez se estatiza mais. Nem sempre há currículos alternativos oficialmente reconhecidos e, onde existem, os que por eles optam são economicamente penalizados.

Com a abertura do ano escolar surgiu, uma vez mais, a dança dos professores e o problema da existência de professores em excesso. Há uma oferta muito superior à procura. Como resolver o caso?

Se fosse fácil, certamente que já estaria resolvido.

Uma medida me parece que, de imediato, deveria ser tomada: distribuir melhor o que existe. Enquanto houver professores no desemprego parece-me imoral haver professores a acumularem diversas funções ou a darem aulas em diversos estabelecimentos de ensino. Imoral me parece também que professores aposentados, com reformas que dão o suficiente para viverem com dignidade, continuem a leccionar.




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