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Por que viaja tanto o Papa?

João Paulo II já realizou mais de cem viagens internacionais. O facto tem despertado a curiosidade de alguns, que acham que o Papa deve fechar-se no Vaticano e daí governar a Igreja Católica. Outros entendem que a doença de que sofre e a idade avançada o devem limitar nessas suas deslocações apostólicas. E o Santo Padre continua o seu apostolado através do mundo com viagens que expressam não a sua vontade pessoal de viajar mas a sua aceitação da vocação apostólica, vencendo as exigências da idade e a inconveniência das doenças.

N/D
17 Set 2003

Como sempre, o Santo Padre não recorre ao silêncio face à linguagem curiosa dos que se pronunciam sobre as suas muitas viagens. João Paulo II respondeu a estes críticos dizendo-lhes: «Todas as minhas viagens são pastorais. Eu deixo a política aos políticos. Não vou visitar uma entidade política. Confirmar os irmãos na fé é o objectivo de todas as minhas viagens».
Nem sempre os que ouvem ou lêem as palavras do Papa as vêem com o respeito devido, visto que, infelizmente, no tempo que estamos a viver, a análise às palavras e aos actos dos demais não se faz sobre a realidade das mesmas, mas sob a visão pessoal de quem as profere.

João Paulo II é um missionário e, pouco depois da sua eleição, foi muito claro no projecto pastoral. Disse: «Quero ir a todos os que rezam, aonde eles rezam, com o beduíno, no deserto, com a carmelita ou o monge cisterciense, nos seus conventos, com o doente, à cabeceira da sua cama, com o homem activo, ao meio da sua vida, com os oprimidos, com os humilhados, com todos. Queria entrar em todas as casas do mundo».

Estas palavras, sentidas e vividas, deviam ser para todos os cristãos uma força moral a estimulá-los a praticar e viver a sua fé com todos os homens, como os doentes, com os que sofrem física ou moralmente.

E, nesta hora, em que a ausência de formação religiosa e até cívica provoca o egoísmo e o abandono dos que precisam de ajuda humana e espiritual, bom seria que todos recordássemos as palavras do Papa e as vivêssemos no nosso dia a dia. O mundo seria diferente para melhor.

João Paulo II disse-nos qual é a dimensão espiritual das suas viagens e fê-lo com estas palavras: «O Papa deve ter uma geografia universal. Eu vivo sempre nesta dimensão. Sinto-me impelido pelo dever de evangelizar».

O longo pontificado de João Paulo II tem sido uma efectivação do apostolado que se lhe impõe à luz da sua consciência e do sentir e agir da Igreja apostólica.

É uma bela lição para todos quantos militam e vivem na Igreja Católica.

Nem a idade nem a doença o impedem de agir ao serviço da Santa Igreja e dos fiéis. O trabalho, sacrifício e, até, a própria doença não o contêm nem o limitam na sua acção.

Num momento em que na Igreja Católica há crise de valores por falta de vocações, a lição de João Paulo II é estimulante e ajuda à entrega plena ao apostolado.

Na última viagem à Polónia, o escritor judeu Bernard Henri Levy disse na despedida de João Paulo II: «Que seja permitido ao escritor judeu, que eu sou, impregnado de cultura judia, mas que não tem a menor dúvida acerca do que a nossa época deve desde há 20 anos ao largo reinado do gladiador agonizante e do que lhe deverá ainda se Deus o guardar; sim, que me seja permitido dizer como os milhares de fiéis que choraram ao despedir-se em Varsóvia, temendo não tornar a vê-lo: fica connosco, Wojtyla».

É assim que o Papa João Paulo II contamina os fiéis, apelando, sempre, aos valores da fé, da moral, da espiritualidade e do serviço ao próximo.

Esta é a força com que domina a doença, aviva as suas forças humanas e espirituais e caminha ao serviço da verdadeira paz e do único bem; a paz e bem que salvam a humanidade.




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