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Saúde infantil – as novas ameaças!

Portugal atingiu nas últimas décadas patamares de saúde nunca antes alcançados e que colocam o país nos lugares de topo, a nível mundial. Isto é bem patente pelo 12.º lugar com que a Organização Mundial de Saúde nos contempla na escala dos sistemas de saúde.

N/D
16 Set 2003

De um modo geral todos os grupos etários foram beneficiados com o progresso nos últimos trinta anos. No entanto foi na saúde da criança e do jovem que os resultados foram mais visíveis.
Há múltiplos factores que contribuíram para que houvesse uma modificação radical no panorama de saúde infantil em Portugal. As políticas implementadas pelos sucessivos governos, a paixão e o trabalho de muitos profissionais envolvidos foram por certo pilares importantes para conseguir os padrões que temos hoje. Estão envolvidas muitas personalidades e legislação relevante que alteraram progressivamente a assistência à criança e ao jovem e nos conduziram aos indicadores de que nos orgulhamos. Não cito nem uns, nem outros porque não seria capaz de a todos mencionar, nem é esse o âmbito deste texto. Não há dúvida que foram muitas as pessoas e múltiplas as leis e os diplomas.

Em trinta anos a taxa de mortalidade infantil, que em 1973 era de 44,8 por mil passou para pouco mais dos 5 de hoje.

Aqui chegados novos perigos ameaçam a saúde das nossas crianças. São o resultado de profundas alterações sociais que forçosamente condicionam o desenvolvimento dos mais pequenos.

A crescente taxa de divórcios, em paralelo com uma rápida modificação na estrutura familiar é disso um bom exemplo. A profissionalização generalizada da mulher, que deixou de ser dona de casa a tempo inteiro, a sua independência económica, a actual facilidade de deslocação e a avidez com que se vive são, por certo, algumas das razões que poderão explicar estas mudanças.

A era da comunicação e do consumo voraz levou a uma alteração profunda dos padrões clássicos de vida. Os valores fundamentais passaram a constituir um estorvo para a afirmação da imagem que se pretende cultivar. As aparências são mais importantes e muitas vezes privilegia-se o supérfluo.

O ambiente que nos rodeia, sobretudo nas grandes metrópoles, vem-se deteriorando.

A pressão urbanística e humana é cada vez maior e leva a uma degradação crescente do meio.

A vida a que as pessoas são obrigadas leva-as a um estado de ansiedade quase permanente. Esta situação repercute-se nas relações inter-pessoais e de grupo e são geradoras de desequilíbrios e mal-estar. Em momentos particulares são susceptíveis de conduzir mesmo a estados de violência.
Esta pode revestir formas latentes que se vão reflectir no restrito meio familiar, ou ultrapassar esta barreira e contagiar relações mais alargadas. De um ou outro modo, as consequências são sempre nefastas e os seus reflexos bem mais marcados nas criaturas mais frágeis e vulneráveis – as crianças. A delinquência de um modo geral, a toxicodependência e a prostituição em particular poderão ser encaradas como resultantes desta profunda alteração social.

Recriar e inovar estratégias, conseguir diferentes abordagens de modo a permitir controlar estas novas formas de morbilidade são imperativos dos políticos e de todos aqueles que nas diversas perspectivas têm responsabilidades em cuidar da saúde global das crianças e jovens. Só com uma boa relação inter-profissional dos diferentes agentes implicados no desenvolvimento integral dos mais novos, seremos capazes de, em tempo útil, minorarmos os males das novas ameaças que pairam sobre as mulheres e os homens de amanhã.




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