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Distrito regista até Setembro metade de incêndios e área ardida

O distrito de Braga tem sido este ano menos atingido pelos incêndios do que o ano passado. Entre 1 de Janeiro e 13 de Setembro, os 14 concelhos registaram um total de 2.738 incêndios, traduzindo-se esse número numa diminuição de 46,8 por cento relativamente a igual período de 2002.

N/D
16 Set 2003

No que se refere a área ardida, verificou-se uma diminuição de 1.884 hectares (3.545 em 2002 para 1.661 em 2003), ou seja menos 53,1 por cento.
Estes números foram divulgados ontem em conferência de imprensa pelo Núcleo Distrital Inter-Sectorial de Análise e Coordenação dos Incêndios Florestais, após uma reunião com os representantes da protecção civil dos diversos concelhos, polícia florestal e Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Segundo o coordenador do Centro Distrital de Operações de Socorro, Hercílio Campos, para este decréscimo contribuiu o factor meteorológico (não houve dias de muito vento), um menor número de queimadas, a decisão do Ministério da Administração Interna proibir os fogos de artifício nas festas e romarias e uma melhor coordenação dos serviços distritais.

Mesmo assim, os serviços de protecção civil do distrito vão continuar em «alerta máximo», porque um pequeno descuido por parte das populações pode provocar um desastre, sobretudo agora que a temperatura do ar voltou a subir e as florestas estão carregadas de matéria combustível.

Queimadas levantam inquietação

Hercílio Campos assegurou que os serviços estão de olho nas queimadas, através da vigilância dos postos de vigia, das brigadas motorizadas e dos bombeiros, uma vez que na origem da maioria dos incêndios estão estas práticas agrícolas.

«Temos tido todo o dispositivo no terreno designadamente nas horas mais criticas de eclosão de fogos florestais. Só este fim-de-semana tivemos acima de 100 bombeiros, para além das outras vigilâncias que são feitas pelos postos fixos e motorizados», realçou aquele responsável, adiantando que as forças policiais (GNR e Polícia Florestal) levantaram já vários autos pela prática dessas queimadas, o que dará lugar a uma responsabilidade contra-ordenacional e à aplicação de coimas. Em caso de incêndio, o autor da queimada poderá ser indiciado como responsável pela propagação do mesmo.

As fogueiras ou queimadas estão proibidas por lei até 30 de Setembro, e a partir dessa data só podem ser efectuadas com autorização das câmaras municipais, mesmo sendo proprietário de um terreno.

Isso mesmo recordou ontem o chefe de gabinete do Governo Civil, que pediu à população para denunciar qualquer procedimento lesivo da floresta ou eventuais movimentos suspeitos.

«É fundamental que todas as pessoas sejam parceiros activos neste combate aos fogos florestais e denunciem e comuniquem ao 117 qualquer movimento suspeito ou qualquer queimada», referiu.

Caça sem fogo

Agostinho da Silva Veloso apelou também aos caçadores para terem cuidado quando estiveram na floresta, nomeadamente aos que fumam e costumam fazer piqueniques. Os apelos foram extensíveis ainda às comissões de festas e fogueteiros, apesar deste Verão ter sido contabilizado apenas um incêndio como tendo origem em fogo de artifício.

O coordenador do Centro Distrital de Operações de Socorro voltou a lembrar que Braga é o segundo distrito do país com maior número de deflagrações de incêndios florestais, facto que se deve em grande parte às queimadas e sessões de fogo de artifício, por trás das quais aparece normalmente camuflado o fogo posto.

No período de tempo compreendido entre 27 de Agosto e 13 de Setembro deste ano, o Núcleo registou 131 incêndios nos 14 concelhos (menos 30 por cento do que é habitual), num total de cerca de 55 hectares de área ardida.

Durante esta quinzena, o concelho mais afectado foi Vieira do Minho, com 18 incêndios e 14,16 hectares de área ardida, seguido de perto por Cabeceiras de Basto, com 5 incêndios e 14 hectares de área ardida.

Curiosamente, Terras de Bouro foi o concelho menos atingido, registando apenas dois incêndios e 0,02 hectares de área ardida.

Este ano, os bombeiros já dispensaram 5152 horas no combate a incêndios rurais.




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