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Insegurança

É opinião generalizada que, entre todos os sistemas de governação, o regime democrático é o melhor. Que tem custos, alguns bem pesados, também todos o reconhecem. Portugal vive, já lá vão trinta anos, em vida democrática, com os sucessos e os fracassos conhecidos de toda a gente.

N/D
14 Set 2003

E, se é inegável a soma de benefícios gozados até ao momento, também não podemos esquecer um conjunto de nódoas, que tem enxovalhado o sistema duma maneira pronunciada. Refiro-me, como não podia deixar de ser, à droga e ao roubo, à violência e à corrupção, aos incêndios e à prostituição.De todas estas perigosas situações, resulta uma onda de inquietação na sociedade portuguesa, que nos deixa atemorizados e inseguros.

A razão do fenómeno está em que, nos regimes antigos, os centros de decisão governativa controlavam a sociedade, presentemente, o sistema democrático não se consegue libertar dos «lobbies» e dos «barões» que dominam a sociedade.

O mais curioso é que estamos a ser vítimas da liberdade que escolhemos para viver e que só devia ser concedida a quem a respeite e não abuse dela.

Foi a fruição generalizada de liberdade, que permitiu a criação de tantos «baronatos» do crime e, agora, vai impedindo a libertação desta onda de tubarões que ameaça e preocupa toda a sociedade.

Podem ser aprisionados alguns passadores, que a droga continuará, porque os «barões» ficarão em liberdade, pode-se prender meia dúzia de larápios, na esquina da rua, que a rapinagem sucederá, porque aos chefões ninguém lhes deita a mão, pode-se fechar um ou outro lupanar e deter a matrona de serviço, que a prostituição não será abolida, porque as redes de recrutamento de «carne humana» ficarão intactas, interna e externamente, pode-se deitar a mão aos pirómanos, mais ou menos amalucados, que os incêndios surgirão, todos os anos, porque os barões interessados continuarão a safra da destruição montesina.

O problema não está no peixe miúdo, mas, sim, no graúdo. Nada se resolve, prendendo os executantes, deixando os meliantes de alto coturno, à solta.

Hoje em dia, em Portugal, existem grupos e redes de actuação fraudulenta e criminosa, que são autênticos contra-poderes e que agem com atrevido desplante, sem que a governação, por impotência ou ignorância, lhes deite a mão.

A Liberdade e os direitos do homem estão a ser aproveitados pelo criminoso, como capa de protecção, para tirar a liberdade de viver ao semelhante, sem custo nem pena digna de registo.
Veja-se o que sucedeu com o assassinato de Sérgio Vieira de Melo, no Iraque.

Quando o Nobel da Paz, Ramos Horta, afirmou que, nestes casos, era a favor da pena de morte, apareceram logo políticos de várias nacionalidades a censurarem-no, invocando a aplicação dos «direitos do homem» em prol dos criminosos.

Evidentemente, que também sou contra a pena de morte.

Contudo, atendendo à facilidade com que se sai das prisões, temo que, ao reconhecimento do «direito à vida» a criminosos pertinazes, possa corresponder a sonegação do «direito de viver» a vitimas inocentes.

Receio que os que matam deliberadamente, após fugaz aprisionamento, continuem a pôr bombas assassinas e que os «direitos» das vítimas se resumem, a meia dúzia de «Rases» jornalísticas e a um funeral com pompa garantida.

Eu sei que a vida pertence a Deus e que se pode recorrer à prisão perpétua, em vez da pena de morte.

Contudo, parece-me que, perante a desigualdade da situação e a gravidade do delito, sem a doutrina e o exemplo de Cristo, a solução popularmente reclamada seria muito diferente.

Será bom que os criminosos não se esqueçam de que já vão surgindo várias tentativas de linchamentos populares e que não ignorem os desesperados apelos de muitas vítimas, reclamando os serviços do pelourinho e da forca.

Da solidariedade humana não se deve abusar!…




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