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Preparar… acção!

Gostaria que as palavras fizessem mais sentido. Mas, de facto, continuam a prevalecer mais os actos. Vou conversando aqui e acolá, tento prestar muita atenção e reflectir. Sobretudo, porque às vezes me pedem sugestões para necessidades que sentem e o sentido das minhas palavras é pouco convincente. Algo falha!

N/D
13 Set 2003

Os assuntos de conversa acabam por levar aos filhos, aos colegas, à educação. Se não se combate o problema em casa, na célula familiar, afinal o núcleo da sociedade estando mal, a sociedade não pode estar a seguir o melhor caminho. Fala-se na educação e ainda bem. Pelo menos, fala-se.
Convém não esquecer que a educação começa em casa de cada um e prossegue viagem na escola, onde não só conhecimentos, regras, condutas, se pretende que os alunos adquiram e que, na sua outra viagem, a do dia a dia do trabalho façam uso do melhor que aprenderam. Lembro-me agora duma grande verdade que me disseram: “eu posso achar que sou bom professor, mas se um aluno meu vier a ser melhor, será razão para o meu regozijo ser bem maior”! E, lá está!

Todos somos alunos, isto é, somos capazes de ser verdadeiros educadores enquanto formos capazes de transmitir valores e atitudes aos outros seja de que maneira for, desde que não colida com a sua sensibilidade.

Esta semana, assisti um pouco a um programa da RTP1. O assunto da conversa pareceu-me referir-se à sinistralidade nas nossas estradas em Portugal. Cada interveniente convidado, no final pôde realçar o que pensava ser mais digno de preocupação de modo a combater os acidentes. Do que ouvi, a opinião dada pelo professor universitário em Saúde Pública foi para mim digna de registo.

Incapaz de reproduzir fielmente o que foi dito, resta-me a essência. Passou algumas vezes o limite de velocidade das nossas auto-estradas, o que não o deixou indiferente.

Cada vez mais vê como é perigoso os permitidos 120 km/h, não só para sua segurança como para a dos outros. Todo o cuidado é pouco. Outro interveniente salientou a importância da prevenção rodoviária nas escolas, já no 1.° ciclo e 2.° ciclo.

Não chega, refere outro interveniente no debate pois é preciso ter cuidado com a publicidade, que de modo nenhum deve ser “enganosa” ao cativar a atenção para as bebidas alcoólicas, ao mesmo tempo que atrai para a compra de grandes “bombas”, verdadeiras máquinas quase “voadoras” nas estradas!
Pena tenho que programas como este sejam transmitidos a horas tardias.

A essas horas, os nossos adolescentes poderão estar a assistir a um filme, ou pior, a “raspar” as calças nas cadeiras dos cafés, onde o assunto poderá ser o “top +” dos livros vendidos, em que a nebulosidade é tanta que o fumo já chega ao tecto, se entranha nas roupas dos nossos futuros intelectuais, e o debate aqui talvez seja saber se afinal o livro do treinador do Futebol Clube do Porto está mais bem classificado que o das “Tias” da Ana Bola (numa escala, até 10)!

Parafraseando uma crónica da revista XIS do Público de 6 de Setembro, onde a escritora refere o seu avô que lhe diz num dia ao nascer do sol: “no fim a luz ganha sempre”; “a noite é apenas um intervalo”. Acrescentaria que Faíza Hayat teve bons educadores, nota-se pelo todo do artigo.

Se a educação começa em casa, se todos somos educadores directa ou indirectamente, temos que alertar uns e outros, ser mais activos, menos permissivos, e não fazermos de conta que estes problemas não existem, porque infelizmente existem. Não podemos estar parados. Temos de agir, nem que seja “passa a palavra” neste caso pró construtivo!




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