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Torres gémeas – dois anos depois

Já lá vão dois anos, como o tempo passa! Ao fim da manhã portuguesa, as televisões de todo o mundo surpreendiam pelas horrorosas imagens que corriam céleres os quatro cantos do mundo. Chamas de fogo crepitantes erguiam-se fumegantes no céu dessa América altiva e orgulhosa do seu esplendor; gritos dilacerantes de pessoas em correria a fugirem da morte ecoavam por todo o lado; piso a piso, as torres gémeas do World Trade Center desabavam, uma a uma, espalhando o terror pelas redondezas. Foi brutal o atentado. O som do impacto dos assassinos aviões sibilava pelos ares, fazendo-se ouvir por todos os recônditos a grande distância. Era o caos a lembrar o fim do mundo para tantas vidas ameaçadas pela tragédia.

N/D
12 Set 2003

O atentado às majestosas torres gémeas do World Trade Center em 11 de Setembro de 2001 e ao Pentágono veio provar como é possível morrer um forte às mãos de um fraco. Parece impensável que a única superpotência económica e militar do mundo se tenha tornado tão vulnerável ao ponto de ser atingida precisamente no âmago dos seus símbolos do poder militar (o Pentágono) e do poder económico (World Trade Center). O facto de ter caído o muro de Berlin não significa que a grande América pouse a cabeça no travesseiro e durma sem sobressaltos.

Críticos que alinham pelo diapasão do antiamericanismo procuram justificar o injustificável, mas nada pode legitimar a brutalidade do ataque de 11 de Setembro contra vidas e bens de inocentes.
O caminho a seguir para extirpar as raízes de tal barbaridade não pode ser o da vingança cega, mas sim o da justiça, ainda que implacável.

Ainda bem que a América, então humilhada, tem consigo muitos dos inimigos de ontem, mesmo de ideologia contrária.

Atenção, sobretudo aos mandantes. Mais criminoso que o terrorista-suicida, por certamente não ter liberdade de dizer não, é o autor moral que esse, sim, espera directamente tirar dividendos de toda a ordem dos crimes horrorosos cometidos a seu mando.

Hitler e Estaline foram mais criminosos do que os soldados que mataram e morreram às suas ordens. Se é que estes chegaram a cometer crime algum.

Países do mundo civilizado responderam prontamente aos apelos dos Estados Unidos. Leis antiterrorismo foram publicadas em todos os países. E o Afeganistão, politicamente mudou de dono. O mesmo aconteceu ao Iraque.

A democracia levou séculos e séculos a afirmar-se segundo o modelo republicano dos nossos dias. Um tanto vergonhosamente, só por volta do Renascimento começam a ser contestados os governos de monarquia absoluta. Contudo, é no século XVIII, por influência do Iluminismo, que surge, com a Revolução Francesa de 1789, no Continente Europeu, a Primeira República, em França, que, pese embora os erros de percurso que não foram poucos e foram grandes, serviu de exemplo a inúmeros países de regime autoritário que seguiram o seu exemplo. Daí o mundo civilizado dos dias de hoje viver sistemas políticos com base na soberania do povo, nos quais o respeito pelos direitos humanos tem dignidade constitucional. Só os regimes de força, à imagem do que se passava com a aristocracia do tempo das monarquias absolutas, procuram resistir à mudança. E fazem-no com o exclusivo fim de preservar os seus ilegítimos privilégios, à custa mesmo da coerciva submissão do seu povo, reduzido a uma feroz escravatura. E é desses países democráticos, ameaçados pelo flagelo desse terrível terrorismo que actua sem rosto, indiscriminadamente, arrasando vidas e haveres de inocentes, que se espera uma resposta firme, não só no seu próprio interesse, mas também no interesse dos povos oprimidos que vivem na esperança de um estatuto de igualdade, como o dos seus irmãos livres. Vem também a propósito recordar a polémica, largamente provocada pelos países que não deram acordo à intervenção armada da coligação de americanos e ingleses. Todos eles não se cansam de perguntar onde estão as armas de destruição massiva que ameaçavam a paz mundial.

Fazem-no, ignorando propositadamente o ataque brutal ao coração da América, atingindo brutalmente vidas e haveres de pessoas indefesas. Também Blair está a ser confrontado com o mesmo problema, mas aqui, no Reino Unido, é a oposição que está com pressa de ser poder. Esta, uma das fraquezas da democracia que temos. Ninguém tem dúvidas que essas armas existiram e foram utilizadas contra os irmãos curdos, no Norte do Iraque. Ninguém tem dúvidas que, para o ditador Saddam, a vida de todos aqueles que se atravessassem no seu caminho não valia dez reis de mel coado. Se não existiam tais armas, à data da intervenção armada, é porque foram destruídas, a tempo e horas, dada a pressão do meticuloso trabalho levado a cabo pelas inspecções e a ameaça iminente, por parte dos Estados Unidos, de intervir, mesmo à revelia do Conselho de Segurança. Não era só a existência de tais armas de destruição massiva que interessava. Mais que isso, era a democratização de um país que tinha já ameaçado o Kuwait e o Irão. País que financiava o terrorismo e onde se matava e enterrava, em valas comuns, os filhos que pusessem em dúvida a legitimidade do poder dos dirigentes.

Nos países civilizados não há terrorismo político ou religioso. Enquanto houver um terrorista à solta, ninguém na sua casa, no seu posto de trabalho ou pelo caminho, ou em zonas de lazer, pode estar sossegado.

Países livres de todo o mundo uni-vos. É uma obrigação dos países da União Europeia e das Nações Unidas (ONU) uma resposta pronta ao apelo dos Estados Unidos. O terrorismo é global e a resposta terá de ser global também. Se baixam os braços, o terrorismo poderá incendiar o mundo, obrigando-o a começar de novo.




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