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Outro ponto de vista…

Decorrido um momento de pausa, longa, retomo a minha colaboração e o meu contacto com os leitores do Diário do Minho, procurando fazer deste espaço de crónica semanal um momento de reflexão, obrigando-me a procurar perceber um “outro ponto de vista”.

N/D
12 Set 2003

Tema recorrente nos meus artigos a situação política bracarense, esperando continuar a escrever e a manifestar a minha posição clara de oposição à actual gestão autárquica. Oposição, não por razões de teimosia, mas substantivada em razões políticas e filosóficas.
De forma clara, assumida e não ingénua entendo que o governo da nossa cidade de há muito expirou o seu prazo.

Assim, iniciamos a nossa abordagem recorrendo a aspectos que possam ser empiricamente constatados.

O actual edil, a que uma propaganda bem urdida faz considerar um homem de obra, posição da qual eu não comungo, sempre que sujeito ao direito democrático de haver quem não concorde com as suas posições, afirma ou manda dizer por outros que os opositores com as suas críticas estão a prejudicar o desenvolvimento da urbe. Prática comum, não nos inibe. Continuaremos a ter posição e a manifestá-la, às vezes de forma veemente mas sempre com elegância.

Se questionamos o descontrole das contas do estádio, perdoe-se-me, da obra de arte, logo alguém nos aparece dizendo, “esta é a materialização do sonho”. Contudo, os sonhos de cada um, legítimos, não têm que ser pagos por todos os contribuintes.

Se nos atrevemos a perguntar como é possível alguém vender o que não é seu, e estou a referir-me ao caso do Sporting de Braga, que nos anuncia um estádio de paixões, logo alguém aparece e diz: “este não gosta do clube da terra”. Gostam, mas gostam mais de transparência, de contas claras… O tempo da impunidade terminou.

Se ousarmos pensar que afinal a obra de arte é a prova material da incompetência do homem de obra, então cai o Carmo e a Trindade.

Sim, pensamos e escrevemos que quem orçamenta uma obra por um valor de seis milhões de contos e que depois, a mesma, pode apresentar um custo final de cerca de 20 milhões não pode ser competente. Se acrescentarmos, ainda, que nos estamos a referir a uma obra paga na totalidade com o dinheiro dos nossos impostos, então, a situação que é muito grave só pode ter uma saída, a demissão do responsável, no caso o edil bracarense.

Como podem os Bracarenses confiar em alguém que trata dos dinheiros públicos de forma tão pouco atenta?

Como podem confiar os Bracarenses em alguém que não consegue pôr um equipamento cultural importante, a Bibliopolis, ao serviço da comunidade?

Por estas e outras razões, não podem… entenda-se porque julgo importante a saída do actual edil.
São razões políticas e objectivas que se ancoram na defesa do interesse público que nos obrigam a dizer: Braga merece muito melhor, merece o melhor de todos nós; por isso, caro presidente retire-se, já fora de tempo, mas ainda a tempo.

PS – A promessa da estátua mantém-se…




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