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Turismo e pobreza

A Mensagem de João Paulo II para o Dia Mundial do Turismo, que se celebra em 27 deste mês de Setembro, alerta uma vez mais para a realidade da pobreza e para a necessidade de tomar medidas no sentido de lhe pôr termo ou de a minimizar.

N/D
11 Set 2003

A existência de pessoas que vivem em condições humanamente inaceitáveis é um facto. Como é um facto o crescimento do vale que separa os países pobres dos países ricos.
«O drama da pobreza, lê-se na referida mensagem, constitui um dos principais desafios contemporâneos, enquanto se agrava o fosso entre as várias regiões do mundo, embora se disponha dos meios necessários para resolver este problema, uma vez que a humanidade alcançou um extraordinário desenvolvimento científico e tecnológico».

Se é verdade que sempre haverá quem tenha mais e quem tenha menos; se é verdade que sempre teremos pobres; se é verdade que Jesus proclamou bem-aventurados os pobres em espírito, também é verdade que não podemos nem devemos aceitar situações em que as pessoas vivem em condições desumanas.

«Não é possível, escreve João Paulo II, permanecer indiferente e inerte diante da pobreza e do subdesenvolvimento. Não podemos fechar-nos nos nossos interesses egoístas, abandonando inúmeros irmãos e irmãs que vivem na miséria e, o que é ainda mais grave, deixando que um grande número deles vá ao encontro de uma morte inexorável».

«É necessário, escreve também, procurar não o bem de um restrito círculo de privilegiados, mas a melhoria das condições de vida de todos».

E que tem a ver o turismo com isto?

«A actividade turística, escreve também o Papa, pode desempenhar um papel relevante na luta contra a pobreza, tanto a partir do ponto de vista económico, como social e cultural. Viajando, o homem conhece diferentes lugares e situações, dando-se conta da profundidade do fosso entre os países abastados e as nações pobres. Além disso, pode valorizar melhor os recursos e as actividades locais, favorecendo o compromisso das camadas mais pobres da população.

As viagens e as permanências turísticas constituem sempre um encontro com diferentes pessoas e culturas. Em toda a parte, mas em primeiro lugar nos países em vias de desenvolvimento, o visitante e o turista dificilmente podem evitar o contacto com dolorosas realidades de pobreza e de fome.
Neste caso, é preciso não apenas resistir à tentação de se fechar numa espécie de “ilha feliz”, isolando-se do contexto social mas, sobretudo, é necessário evitar aproveitar-se da posição de privilégio para explorar as “necessidades” das pessoas do lugar. Por conseguinte, a visita seja uma ocasião de diálogo entre pessoas de igual dignidade; um motivo de maior conhecimento dos habitantes do lugar e da sua história e cultura; e uma abertura sincera à compreensão do próximo, que leve a gestos concretos de solidariedade».

Os turistas são convidados à solidariedade para com os pobres, os famintos e os necessitados.

«Esta solidariedade manifesta-se, em primeiro lugar, no respeito da dignidade pessoal da população local, da sua cultura e dos seus costumes, numa atitude de diálogo que visa promover o desenvolvimento integral de cada indivíduo».

O turismo é visto, hoje, como uma fonte de receita. A campanha no sentido de atrair turistas é uma realidade, mas não pode ignorar o respeito pelos princípios éticos. Que se não procure apanhar turistas lançando-lhes, desculpem-me a expressão, iscas envenenadas. Também aqui os fins não justificam os meios e nem tudo pode ser objecto de aluguer. Os que visitam e os que são visitados são, todos eles, membros da mesma família humana. Quem é visitado tem o dever de saber acolher e quem visita tem a obrigação de saber merecer um acolhimento verdadeiramente fraterno. Que o turismo não seja mais uma forma de exploração nem para uns nem para outros.

«Que a actividade turística, escreve ainda João Paulo II na sua mensagem, seja um instrumento cada vez mais eficaz para a redução da pobreza, para a promoção do crescimento pessoal e social dos indivíduos e dos povos e para a consolidação da participação e da cooperação entre as nações, as culturas e as religiões».




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