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752. Meus caros leitores:

Novamente convosco. E, após um Agosto em chamas que pôs a nu a fragilidade e improvisação de um país, bem como a inacção e desleixo de sucessivos poderes políticos em termos de ordenamento e protecção florestal, agora este Setembro aos molhos, lavado e sereno. Bom para reflectir e lançar pontes! Com este chão, este ar e este céu que empolgam e veiculam esperança!

N/D
10 Set 2003

Mas esperança de quê? Sem dúvida de mais determinação e responsabilização dos poderes políticos e mais saúde, justiça, segurança e educação para todos. Isso mesmo, mais e melhor educação, mormente num país com cerca de 28 mil professores no desemprego, que é sinónimo de mais cultura e civismo!
É que, efectivamente, continuamos um povo de maus e grossos modos, de muito tribalismo! Já não comemos à mão, nem guinchamos pelos galhos, é certo, mas riscamos as mesas dos cafés, escarramos para o chão, falamos demasiado alto, arrotamos à mesa, incomodamos tudo e todos… Só quem por aí deambula, meus caros, é que vê o que somos em férias. É, então, que salta à tona a argamassa de que se compõe o verdadeiro tuga: civismo mais tolerância mais solidariedade mais cultura igual a zero! E de que resulta um país de parolos, pançudos, possidónios e porcos!

Depois, esta coisa bestial, esta singularidade que, finalmente, nos coloca na vanguarda da Europa… dos laparotos e canhestros e andou nos editoriais de Agosto: 75 por cento das empresas não paga IRC o que, em termos de contabilidade de simples merceeiro, quer dizer que não dão lucro!

Mas, então, isto é assim? Empresa que não dá lucro das duas uma: ou é mal gerida, ou engana o fisco! No primeiro caso, a solução é fechar as portas e, no segundo, só um apertão da fiscalização é óbvio.

E é com isto, igualmente, que se faz um país a duas velocidades: a pobreza versus a ostentação!
Aquela, bem patente nas feridas que os incêndios de Agosto abriram por esse Portugal rural e sofrido e esta, nas festanças nocturnas que, ao mesmo tempo, levaram um certo cartel de tias, tios e iguais cromos, pelos algarves, a gastarem à tripa forra, ou no envio para a estranja a banhos (inclusive o Presidente da República) outros tantos, com total desrespeito pelo país em chamas e com elas os sonhos de miséria e grandeza com que se vai tecendo o nosso misantropo quotidiano!

Mas, caros Leitores, o que fez mesmo as delícias deste nosso insólito e marado Verão foram estas bizarrias: a classificação de Paulo Portas por Mário Soares de tumor do Governo, a ceia dos generais a lembrar aqueloutra brigada do reumático e o dislate do ministro do Ambiente que pensou tirar um coelho da cartola ao acusar os ex-combatentes de incendiários e, pasme-se, com as granadas das guerras de África! Qualquer deles a lembrar, com dó e desilusão, que esta nossa democracia, afinal, para pouco mais tem servido que para colher vinganças de bastidores, lavar muita roupa suja e promover romagens de desagravo!

Ao menos, meus caros, que Setembro cheira a restolho e a mosto! À magia do pão e do vinho que da Natureza é dom generoso e farto e, ano a ano, repetida e cumprida no apelo gritado e óbvio dos prados e das vinhas! Ao menos, que nos valha este Setembro de aviso aos políticos para que, de uma vez por todas, entendam a mensagem da terra e das sementes e é generosidade e solidariedade!

Porque, para mal dos nossos pecados, nem das rentrées do PSD em Caminha, onde Durão Barroso se esfalfou para dizer mais do mesmo, nem do PS em Portimão, onde Ferro Rodrigues apenas desancou em Paulo Portas e o seu PP, ambas vazias de causas, ideias e iniciativas, se vislumbra uma luz, ténue que seja, ao fundo do túnel da sensaboria nacional!

Assim sendo, pobre país este que vive em constante apagão!

Aí vai um abração e até de hoje a oito!




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