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Madre Teresa de Calcutá

Faz hoje mesmo seis anos que a Madre Teresa (conhecida também pela “Santa das Sarjetas”) se encontrou definitivamente com Deus, Dono e Senhor da sua alma. Ao longo de vários dias a fio, formou-se uma fila de quilómetros, diante de São Tomé, em Calcutá, onde estava o seu corpo a ser velado. Ao fim de uma semana, correspondendo ao anseio de milhares de pessoas que queriam dizer-lhe o último adeus, o corpo da Madre foi transladado para o Estádio Netaji, onde o cardeal Ângelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano, celebrou a missa de corpo presente. O veículo que transportou o corpo de Mahatma Gandhi foi o mesmo utilizado no cortejo fúnebre da Mãe dos pobres Nasceu a 27 de Agosto de 1910, em Skopje, actualmente pertencente à Albânia. Mas em 21 de Dezembro de 1948 obtém a nacionalidade indiana. É na Índia que ela sente que faz mais falta e é ali que começa a sua obra de solidariedade humana que vai romper fronteiras radicando-se em vários países. Desde os seus 36 anos de idade que ela pensava nos pobres de Calcutá que todas as noites morrem pelas ruas e na manhã seguinte são lançados para o carro de limpeza como se fossem lixo.

N/D
5 Set 2003

«Nunca aceites um pão que não seja para partilhar com outros», este o conselho de sua mãe que nunca esquecera pela vida fora! Começou por ensinar História e Geografia a filhas de famílias da alta sociedade indiana! Mas a indiferença dessa sociedade para com a miséria de seres humanos que, abandonados, morriam ao frio e à fome nos passeios da rua, levou-a a dar o salto para esse outro lado da vida, onde pôde ser mais útil por «ajudar os pobres e viver com eles».

Pensou, sonhou, trabalhou e a obra nascera! Parte aos 87 anos de idade. Para trás deixa a maior obra social de que há memória na história de um ser humano individualmente considerado: 600 casas em 120 países. E são estas casas que alimentam mais de 500 famílias e onde 20 mil crianças são protegidas; 90 mil leprosos recebem ali cuidados médicos e 30 mil moribundos são acolhidos na «casa da morte» que o Papa João Paulo II visitou e tremeu de emoção, ao deparar com o alto grau de degradação do ser humano!

Defendia que o combate à explosão demográfica passava pela adopção e não pelo aborto. Mas foi acusada de fazer o jogo dos poderosos e pretender a cristianização da Índia! Considerava o aborto «o pior mal existente sobre a terra». No seu livro “Não há maior amor”, fala de um carrinho de bebé, empurrado por uma jovem que, para surpresa sua, não levava nenhuma criança, mas, para espanto de toda a gente, transportava simplesmente um cachorro! A Madre lamenta e diz: «Aparentemente, aquela mulher precisava de preencher o vazio que sentia no seu coração. Assim, não tendo um filho, procurara algo que o substituísse e arranjou um cão. Também gosto muito de cães, mas não suporto ver dar a um cão o lugar de uma criança».

E não sabia a mulher que provoca o aborto que, ao empurrar para a morte um pedaço grande de si, estava a deitar por terra a fonte das maiores alegrias que a inocência de uma criança, com as suas traquinices e o seu amor, dá à sua mãe, suavizando-lhe as agruras da vida e dando-lhe alegria de viver! Recordo a visita que a Madre faz a uma mãe com doze filhos, sendo a mais nova uma criança horrivelmente mutilada! A Madre oferece-se para receber a criança em sua casa onde já existiam outras nas mesmas circunstâncias! A mãe desata a chorar! «Pelo amor de Deus, Madre, não me diga isso. Esta filha foi a maior dádiva que eu e a minha família recebemos de Deus…»!

Em Dezembro de 1979, recebe o Nobel da Paz! Este galardão provoca o efeito de magia da comunicação social que propaga logo a sua obra pelos quatro cantos da terra! E assim torna-a universalmente conhecida, passando, por isso, a crescer mais facilmente com as ajudas que vão chovendo do mundo inteiro. Por outro lado, o valor pecuniário de tal prémio permite que o manto humanitário das irmãs de sari branco, debruado a azul, se estenda, cada vez mais, a todo o lado e em todas as direcções!

A “Santa das Sarjetas” morreu e o vazio deixado atrás de si levanta a seguinte questão: a sua missão humanitária é de um alcance infinito! Mas, se reflectirmos um pouco, uma gota de água no oceano ou um grão de areia no deserto! A população da Índia ronda já um bilião de habitantes! Mas só alguns milhões de ricos e remediados! O resto é de uma pobreza franciscana! Já andei por lá e vi pessoas, ainda com o corpo quente, deitadas no passeio, na lista de espera do combóio para a eternidade!

E os governos dos países mártires, de regimes totalitários, canalizam a parte de leão das suas receitas na corrida ao armamento e na compra de carrões e abertura de contas no estrangeiro! Veja-se o que aconteceu com o ditador Mobutu, ex-presidente do Zaire, e com o ditador Idi Amín, do Uganda! Enquanto o povo desses países de miséria morre à fome por falta de pão, sopa e leite. E ao frio, por falta de agasalhos, se acaso tiverem invernos de clima rigoroso. Para não falar das crianças que a única escola que frequentam é a da guerra onde aprendem a matar o seu semelhante. E, quantas delas, se não morrem no teatro de operações, ficam mutiladas para toda vida e sem auxílio que lhes permita fazer face às elementares necessidades de sobrevivência com alguma dignidade humana!

Só a Índia precisava de uma Madre Teresa em cada esquina! E a Índia, embora seja grande, é apenas uma pequena parte do mundo!

Mas o mundo do século XXI com a nova experiência de um capitalismo sem freio, ambicioso, egoísta, desumanizado, sem fronteiras, não deixa lugar à acção apostólica de muitas Madre Teresa de Calcutá.
E é pena. O mundo está mais pobre.




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