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A empresa e o lucro

Não tenhamos ilusões. Empresa rima com riqueza. Quem monta uma empresa tem como objectivo o lucro proveniente de um bem ou de um serviço que vai colocar no mercado. E ninguém lhe pode querer mal por isso.

N/D
4 Set 2003

É necessário, porém, que a riqueza não seja produzida de qualquer maneira. Que ninguém enriqueça explorando ou enganando os outros.
Que se não produza riqueza tratando a pessoa do trabalhador como se fosse uma máquina, ou menos que isso. Já trabalhei numa empresa onde se instalou o ar condicionado, não com o fim de proporcionar ao trabalhador melhor ambiente de trabalho, mas por exigência de funcionalidade de certas máquinas que a empresa adquirira.

Que se não produza riqueza exigindo da pessoa do trabalhador mais do que é razoável exigir.

Que se não produza riqueza pagando baixos salários, não entregando os descontos para a Segurança Social, não pagando os impostos justos, não criando condições humanas de trabalho.

Que se não produza riqueza enganando o consumidor na qualidade dos bens produzidos ou dos serviços prestados nem recorrendo a exageradas margens de lucro, encarecendo indevidamente o bem que se produz ou o serviço que se presta.

A riqueza produzida é fruto da actividade coordenada de várias pessoas. E é por essas mesmas pessoas que a riqueza produzida deve ser distribuída com justiça.

Relativamente à pessoa do trabalhador, uma das formas de distribuir por ele a riqueza produzida consiste no pagamento do salário justo, mas não só.

Um problema se coloca de imediato: em que consiste a justiça do salário? Pode considerar-se justo um salário, unicamente porque o seu montante resultou de um contrato de trabalho? E se esse contrato foi influenciado pela lei da oferta e da procura, onde o que predomina é a lei do mais forte?

O salário não é a única forma de se distribuir com justiça a riqueza que se produziu. Além do salário pode-se distribuir a riqueza, por exemplo, mediante a prestação de serviços sociais à pessoa dos trabalhadores. Pode-se distribuir a riqueza beneficiando os trabalhadores e respectivas famílias, além do salário, com a atribuição de seguros de saúde pagos pela empresa. Pode-se distribuir a riqueza atribuindo bolsas de estudo aos filhos dos trabalhadores. Pode-se distribuir a riqueza convertendo o trabalhador em mais um sócio da empresa para que trabalha, etc., etc.

Um empresário que se preze pode ficar de consciência tranquila depois de ter pago pontualmente o salário determinado por lei ou fixado através de um contrato colectivo? E a participação do trabalhador nos lucros da empresa de que também faz parte?




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