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O ensino religioso na escola e a oposição da “esquerda”

O problema que titulamos neste artigo surgiu na vizinha Espanha, onde o ensino da religião fará parte dos programas escolares. O facto resulta da nova reforma sobre educação aprovada pelo governo actual e que entrará em vigor no próximo ano. Os professores são nomeados pelo Episcopado e pagos pelo Estado.

N/D
3 Set 2003

O jornal francês “Le Figaro” sintetizou o que se vai passar no plano pedagógico. Disse: «Os alunos do secundário de uma instituição privada ou pública seguirão obrigatoriamente um ensino religioso, que beneficiará do mesmo coeficiente que a matemática ou a história».
Até ao presente, não havia obrigatoriedade tão concretizada, pois o aluno podia escolher entre diferentes disciplinas como a cultura musical, a ética, a informática ou o teatro.

Com a nova lei, o aluno pode escolher ou o curso de religião “confessional” ou o “facto religioso”. O ensino da religião terá umas 210 horas anuais do programa contra 185 horas consagradas às ciências naturais e 125 horas à tecnologia.

Aquele jornal francês disse também: «A Espanha torna-se desta maneira o país da Europa que concede mais horas ao ensino religioso e é o único a tornar obrigatórios tais cursos nas escolas públicas».

A decisão do governo espanhol não agradou à oposição, pois os socialistas e toda a “esquerda” estão contra, e acusam o governo de não estabelecer uma separação entre o Estado e a Igreja.

O Partido Socialista já ameaçou a ministra da Educação, Pilar del Castillo, de recorrer ao Tribunal Constitucional. O chefe da coligação comunista, Gaspar Llamazares, ameaçou o Governo dizendo: «A opção agnóstica ou ateia é legítima no nosso país. Esta reforma é um atentado às nossas liberdades fundamentais».

O problema da religião e da cultura religiosa tem surgido nos últimos tempos com bastante actualidade e insistência. Como se regista, os políticos de esquerda olvidam o facto religioso no plano social e limitam-no, quando não o minimizam, no plano individual. Ignoram a história e a influência do cristianismo na vida dos povos e das nações.

O diário madrileno “ABC” trouxe estas palavras, oportunas no tempo e nas circunstâncias, de Juan Manuel de Prada: quiseram «remover da nossa formação o conteúdo formoso da cultura religiosa encerrando-a nessas masmorras onde também jazem outras disciplinas supostamente arqueológicas, como o grego e o latim. Celebro efusivamente que os novos planos de ensino devolvam aos nossos jovens um legado primordial que lhes foi selvaticamente amputado».

Como se vê, o problema político, social, religioso e até académico não é visto pela “esquerda” como uma realidade que se deve respeitar, pois tem a seu favor a verdade, a justiça e a legitimidade.

Ignacio Sánchez Câmara, também no “ABC”, referiu-se à atitude da “esquerda”, que se revelou contra a decisão do governo sobre o ensino da religião nas escolas.

E disse: «Não lhes será bastante que exista uma opção entre umas versões confessionais da disciplina e outra não confessional? Não lhes importará que se satisfaçam tanto as liberdades constitucionais como os acordos com a Santa Sé? O que queriam era a supressão de toda a referência religiosa nos centros públicos, o anátema sobre toda a religião».

Surgiu, não a inteligência, mas a paixão, o ódio, o facciosismo a pronunciar-se sobre um tema que, no presente, está a ser observado atentamente noutros países.

Abordamos este problema para informação objectiva dos nossos leitores. Mas o facto em si não é, apenas, histórico.

A religião é para se viver e não apenas para a aceitar nos planos políticos que procuram respeitar a história e as tradições de cada povo. O que torna uma exigência moral é a prática da religião, no plano pessoal e no conjunto dos fiéis. Por esta razão objectiva e fundamental, devemos trabalhar no sentido de que a religião seja respeitada no plano oficial dos Estados e, sobretudo, vivida.

Ora, as estatísticas feitas ultimamente, até em Portugal, expressam o declínio da prática religiosa. O Bispo de Leiria-Fátima, em entrevista ao semanário “O Diabo” de 13 de Maio, disse: «Tenho notado que os jovens sentem-se desanimados e desalmados, porque ficaram frustrados com as tentações do sexo, da droga… Parece-me que há um regresso às certezas, às convicções, às riquezas interiores, ao divino, ao absoluto».

O problema tem sido abordado e estudado. É difícil e precisa de um esforço de todos os cristãos para que a consciência que nos comanda saiba vencer o ambiente que nos envolve, saiba compreender o dever que se nos impõe nesta hora grave em que os valores tradicionais são desrespeitados e as famílias não têm o convívio com os seus filhos, devido às ocupações prementes da própria vida.

Importa estudar bem o problema ou os problemas e agir de acordo com as circunstâncias que nos envolvem.




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