Fotografia:
O pouco valor da vida humana

Li há pouco que se está a proceder à procriação assistida com embriões excedentários, com o fim de após o nascimento das crianças, lhes sejam retirados órgãos para transplante a quem pode pagar bem.

N/D
30 Ago 2003

Na Índia é vulgar a comercialização de órgãos humanos, mas com adultos. Homens entre os 20 e os 30 anos, “vendem” um órgão, geralmente um rim, para obter dinheiro para manter a família.
Colocam-se num lugar estratégico perto do hospital que procede aos transplantes a fim de serem contactados e realizar a comercialização.

E quem são os compradores? Pois são os detentores de enormes fortunas que se podem dar ao luxo de comprar a sua saúde à custa do mal físico de um indigente.

O pior é que consumada a transacção o vendedor vê rapidamente esgotado o dinheiro que ganhou, e uma vez debilitado, pela operação a que se submeteu e pela perda de um órgão, tem dificuldade em arranjar trabalho. Esta situação é imoral, desumana e degradante, mas parece que tem a cobertura das autoridades ou pelo menos o seu fechar de olhos.

Para estes ricaços pouco valor tem a vida humana… do seu semelhante, claro.

Outro caso de que tive conhecimento, refere-se à depreciação da vida humana de um ser já de idade avançada.

Defendia o médico, galardoado com o Prémio Nobel (!), que um ser humano a partir dos 70 anos não devia ter direito a internamento hospitalar, nem a cuidados médicos, pois isso seria prejudicar os novos. Sem comentários.

Em 1992, Linda Grant na sua obra “Sexing the Millennium”, conta como e para quê apareceu a pílula anticonceptiva. Talvez muitas mulheres não saibam que foi criada com fins eugénicos e experimentada, sem garantias, nas mulheres porto-riquenhas.

Porto Rico é uma ilha essencialmente agrícola, de economia muito débil e o aumento de população na ilha foi considerado o responsável pelo não crescimento económico.

Como a cana de açúcar era a principal cultura da ilha e os proprietários pensavam substituir a mão de obra, por máquinas mais rentáveis, associaram-se aos receios dos Estados Unidos de que os porto-riquenhos fugissem para lá, e montaram eles mesmos, nas suas plantações, clínicas com o fim de testar os anticonceptivos. Foram as mulheres porto-riquenhas as escolhidas para “cobaias”.

Apareceram estudantes de Medicina que tentaram lutar contra esta manipulação, mas foram ameaçadas por um professor de Farmacologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Porto Rico, nestes termos: «… se qualquer estudante se mostrar irresponsável… utilizarei isso contra ela, no momento de lhe conceder o título».

“Cobaias” forçadas foram usadas, mas face aos resultados negativos, mais de 50 por cento abandonaram o uso da pílula pelos efeitos nefastos que produzia. Mas como o dinheiro nasceu esperto, uma companhia farmacêutica de Chicago pôs à venda a referida pílula sem olhar aos efeitos secundários prejudiciais e muito menos às implicações morais.

Diz o Dr. José Maria Cabral no seu livro “Doença terminal – Valor da vida humana”, na página 20: «Qualquer acção que atente directamente contra a própria vida ou de outrem ou ainda que dificulte novas vidas subordinando-as a algum interesse, reduzindo-as assim a valor de meio, sofrerá de ilicitude grave».

Não foi pelo uso da pílula que Porto Rico diminuiu a natalidade, o que muito decepcionou os pró-controlo demográfico. Foi pior. Porto Rico enveredou pela esterilização que é um atentado ao direito natural, bem como à integridade física se for imposta pelo Estado; se a esterilização for voluntária é do mesmo modo ilícita, pois vai contra o uso natural da capacidade sexual: a procriação.

Está provado, por cientistas autênticos e honestos, e li esta afirmação num jornal diário da cidade onde vivo, que os métodos naturais são mais seguros que a pílula e os preservativos, quer no espaçamento dos nascimentos, quer para evitar a transmissão de doenças.

Só têm um grave inconveniente: não rendem tanto dinheiro e por isso são recusados, silenciados, menosprezados e ridicularizados.

Se as Bolsas estão em baixa face à recessão económica que atravessamos, e se lá estivesse cotada a vida humana, penso que teria o menor valor entre todas as cotações…




Notícias relacionadas


Scroll Up