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Em pleno estio

Nesta altura do ano, o Verão ainda está em pleno esplendor.

N/D
29 Ago 2003

O calor que dele irradia faz subir, diariamente, o mercúrio na escala do barómetro e a luz que vai espargindo, ora enche de claridade luminosa o espaço envolvente, ora cria sombras benfazejas, onde o homem acalorado enxuga suores e se abriga dos raios solares.
Este Verão foi bastante irregular.

Os portugueses dividiram-se, em gostos e afazeres.

Uns, foram para a praia, ao encontro dos prazeres da água; outros, como os bombeiros, foram para o monte enfrentar o inferno do fogo.

Alguns, apesar das chamas ao redor, demandaram o Algarve; outros, menos bafejados da sorte, fizeram «turismo caseiro».

O emigrante, em luta porfiada contra o calendário que escala o tempo e programa os vagares, foi apressado dar a esmolinha da promessa à Senhora de Fátima e, em seguida, para lembrar tempos antigos, não se esqueceu de ir à romaria dançar o «vira» da terra.

Depois, recordando tempos e memórias antigas, foi ao restaurante da vila comer a bacalhoada da praxe e, porque achou o preçário um pouco exagerado, lamentou ter ensinado outros povos a saborear tão delicioso pitéu.

O montanhês passou os primeiros dias de Agosto, ao lado dos bombeiros, de ramos na mão, a combater as labaredas do fogo; agora, quando o Agosto dobra, a meio, as páginas do calendário, lamenta a sorte e chora a desgraça.

Os jovens motards, ora deambularam pelos roteiros do abandonado rallye, ao redor da serra d’Arga, a caminho de Vilar de Mouros, onde saracotearam as ancas e esventraram os músculos do abdómen, ao som duma música prenhe de ritmo moderno, ora subiram as curvas da Travanca, no encalço de Paredes de Coura, para se irmanarem na «onda do empurrão e na dança do toque nos ombros».

Os reformados que se puderam evadir daquilo a que já chamam o «armazém de velhos», repartiram as horas de lazer, ora sentados no paredão da praia, contando as ondas que chegavam à areia, ora recostados nos bancos do jardim mais próximo, enxugando calores e descansando fadigas.

Os agricultores da planície, pouco satisfeitos da vida, vão todos os dias, às ramadas da vinha, contar os cachos ressequidos ou, para variar, divagam pelos campos de cultivo, a lamentar as culturas estragadas por uma estiagem abrasadora.

Os entendidos lamentam a crise económica, por não permitir que se faça turismo pelo estrangeiro; contudo, não se ouve uma única palavra de solidariedade para tantos lusitanos que, mesmo sem crise, nunca tiveram posses para dar umas pequenas voltinhas, por este bem lindo e desconhecido Portugal.

Esgotada a cartilha dos chorrilhos e das arremetidas parlamentares, os políticos vão-se diluindo pelas praias mais famosas deste e de outros países, à espera que as ondas das marés lhes avivem as ideias e lhes tragam novas mensagens.

Entretanto, Portugal espera entrar, urgentemente, em cuidados intensivos, com queimaduras de primeiro grau, na busca de uma recuperação florestal, que lhe restitua o desejado verde montanhês e o ar sadio, que sempre foi apanágio dos campos lusitanos.




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