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A violência física e verbal nos meios de comunicação

Os Bispos de Espanha, reunidos em Conferência Episcopal, publicaram uma mensagem com o título: “Meios de comunicação ao serviço da paz”.

N/D
27 Ago 2003

Olhando para os meios de comunicação do nosso País, verificamos que os mesmos não estão ao serviço da paz.

Os bispos espanhóis oferecem aos profissionais dos meios de comunicação e às suas famílias a oração e a solidariedade – a «eles e às suas famílias que, ameaçados, às vezes, pela violência terrorista de quem pela força imoral do terror e do medo, pretende fazer calar as vozes da mais nobre e invencível das causas: a da defesa da família e a liberdade pessoal e colectiva dos cidadãos».

Os bispos pedem às comunidades cristãs que expressem a sua solicitude e proximidade com estes jornalistas ameaçados e com todas as vítimas da violência.

Os bispos deduzem as suas recomendações pastorais sempre fundamentadas na realidade do tempo que se vive. E dizem: «É impossível manter, em determinadas circunstâncias uma presença informativa ética e moral adequada em relação ao terrorismo, aos maus tratos ou a qualquer classe de violência a que somos mais sensíveis hoje em dia, se a atitude de fundo, noutras muitas ocasiões tem sido apresentar uma imagem reducionista da pessoa humana, sem horizonte nem destino».

A nota do episcopado é objectiva e pedagógica. Analisa o que se passa e deixa registado: «Por desgraça, estes espaços são, geralmente, tolerados e até fomentados por sua lucrativa rentabilidade económica que adormece qualquer reacção ética em seus responsáveis».

Infelizmente, o que os bispos espanhóis escrevem também se verifica em Portugal com os órgãos de informação, cujo objectivo não é tanto informar com objectividade e respeito pela verdade mas pelos êxitos da venda da imprensa ou da garantia da audição, em grande, no plano numérico dos órgãos de comunicação social.

Estes procuram o êxito da venda e, com ela, o da prosperidade financeira.

Os bispos espanhóis apelam para a educação no plano da comunicação social e dizem: «A educação na comunicação é uma tarefa urgente na sociedade da informação em que vivemos». E esta educação agrava a responsabilidade ética de comunicadores e empresários. Esta responsabilidade ética há-de ser reclamada tanto pelo público como pelas instituições públicas e sociais competentes, assim como pelos pais e educadores, cuja função principal deve estar orientada a «fomentar um sentido crítico que ajude ao discernimento dos mais pequenos e dos jovens na hora do uso dos meios».

O Arcebispo de Toledo e Primaz da Espanha afirmou que «haverá uma sociedade livre se os meios de comunicação servem a verdade, a verdade do homem».

Os bispos espanhóis não se ficam pelas palavras. Concretizam o seu pensamento:

– «deram-se passos importantes nas delegações diocesanas dos meios de comunicação»;

– destacam a responsabilidade das «empresas cristãs da comunicação para superar a fractura existente e conciliar a mensagem do Evangelho com a cultura actual»;

– os que trabalham na comunicação social continuam «a servir com o seu trabalho o bem comum da sociedade e a causa da dignidade humana».

Registe-se que os bispos, na sua mensagem, expressam a «solicitude e aproximação» com os jornalistas ameaçados pela ETA.

Trouxemos para os nossos leitores algumas afirmações da mensagem dos bispos espanhóis para a Jornada Mundial das Comunicações Sociais. Fizemo-lo por vários motivos. O primeiro para assinalar a presença do episcopado espanhol face a um problema grave dos nossos dias: o uso da imprensa e o seu serviço informativo. A imprensa deve referir os factos, mas deve fazê-lo com o devido respeito ao tema, à sua oportunidade, à sua aplicação, e até ao confronto com certas notícias e ao tempo que se lhes dá.

Temos lido e ouvido críticas a noticiários que ocupam tempo demasiado em desfavor da informação autêntica. É o caso, entre nós já bastante registado na imprensa, do futebol; é o caso da ex-presidente da Câmara de Felgueiras que ocupou, por responsabilidade do entrevistador da televisão, espaço demasiado com influência negativa no restante noticiário.

Parece-nos que tratando-se de “notícias”, estas devem ser dadas, mas não tidas como temas de longa análise. Informar é uma coisa, analisar ou julgar é outra.

A televisão dá a notícia e o assistente à transmissão da mesma faz o seu julgamento. Não espera o do autor da notícia. Oxalá encontremos quem se apresente ao público com a função que se lhe atribui e a execute bem: informar.




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