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Passagens de nível no ramal de Braga finalmente em extinção!

Depois de num curto espaço de tempo terem sido notícia alguns acidentes em passagens de nível, entendi que, mesmo não sendo um especialista na matéria, devia alertar para factos que com o decorrer e evolução do tempo demonstram o que tem sido feito, na procura de soluções para pôr fim aos desastres ferro/rodoviários em passagens de nível.

N/D
26 Ago 2003

O conceito de passagens de nível é, salvo melhor opinião, ou melhor, quase por unanimidade, «o cruzamento de uma estrada com a via férrea, no mesmo plano e horizontalidade». Creio que a CP e Refer desenvolveram projectos durante décadas, visando a supressão ou substituição por passagens inferiores ou superiores e ainda através de sistemas que ao aproximar do comboio accionavam a passagem de nível eléctrica e automaticamente. Surgiram passagens de nível com meias barreiras e sem barreiras, que vieram facilitar o escoamento de trânsito, a redução de postos de trabalho e regulamentação interna adequada, para completar a que rodoviariamente já existia “pare, escute e olhe” e aumentar a segurança no atravessamento de passagens de nível .
Porém, outros problemas existiram sempre, pois os antigos atravessamentos na via, em que a utilização era reduzida, ou quase só utilizada por poucos moradores para acesso a propriedades, evoluíram para caminhos a que novos ordenamentos do território e PDM’s permitiram um aumento de população e trânsito, e consequentemente maiores perigos.

Acresce também que o tal sistema automatizado em muitas passagens de nível também avaria e aí surgem enormes problemas:

– a meia barreira fechada por avaria impede o automobilista de seguir na sua via e passar para a contrária, com todos os perigos daí decorrentes (esperar tem limites);

– as passagens de nível sem meias barreiras, quando o sinal se apresenta avariado (vermelho ou apagado), obriga o automobilista a considerar o “pare, escute e olhe” às vezes em condições de má visibilidade devido a arbustos ou edifícios existentes na proximidade das vias férreas;

– o guarnecimento destas passagens de nível com meias barreiras é, por vezes, moroso ou muito moroso e a reparação igualmente morosa.

Trata-se de um sistema estruturado por circuitos de via e normas de segurança que, mesmo de técnica evoluída, avariam e originam problemas aos utentes das passagens de nível e, por vezes, aos moradores da proximidade, quando o sinal sonoro se mantém constante a tocar, impedindo o repouso de quem necessita de trabalhar pela manhã. Nesta matéria de atravessamento ferro/rodoviário é aos técnicos da Refer que compete esclarecer situações… Porém, o leitor atento aos jornais fica admirado quando surge mais um acidente e logo pensa se existe erro humano!

Lamentar os acidentes é o que todos fazemos, averiguar causas e factos competirá sempre aos responsáveis. Porém, é louvável que a Refer se preocupe em suprimir passagens de nível, ficando o desejo de que tal não reduza muitos postos de trabalho e que a manutenção nas passagens de nível que fiquem, se processe com rapidez e com segurança.

O ramal de Braga é, neste momento, objecto de total remodelação com passagens inferiores e superiores. Esperemos que fiquem bem iluminados e com fácil acesso para jovens, idosos e deficientes. A ver vamos… Na altura própria, teremos inauguração e festa. Qualquer cidadão, utente ou não, poderá aproximar-se, ver a tão propagada obra, certamente útil, necessária e também cara. Saudemos o progresso e a segurança.




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